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Jornal Brasil

Celso Lafer recebe o Prêmio Professor Emérito 2015

Publicado em 21 outubro 2015

O professor da Universidade de São Paulo (USP) e presidente da FAPESP de 2008 a setembro de 2015, Celso Lafer, recebeu, dia 15/10, o prêmio Professor Emérito 2015 – Troféu Guerreiro da Educação Ruy Mesquita, concedido anualmente a personalidades de destaque na educação brasileira.

O prêmio é promovido pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) em parceria com o jornal O Estado de S.Paulo, e é concedido desde 1997. O homenageado é escolhido a partir de uma lista de nomes sugeridos num processo aberto, do qual participam conselheiros do CIEE, laureados em anos anteriores, pesquisadores e empresários.

Lafer foi saudado na cerimônia pelo físico e professor José Goldemberg, premiado no ano passado e que o sucedeu na Presidência da FAPESP. “Educação, no sentido mais geral da palavra, significa preparar as pessoas para o mundo, ou seja, conduzi-las para fora de si mesmas. Isso, a meu ver, é que Celso Lafer fez em toda a sua vida”.

Segundo Goldemberg, Lafer não ficou apenas dentro das Arcadas, como professor da Faculdade de Direito, mas atingiu a sociedade escrevendo sobre a vanguarda do pensamento mundial na literatura e no Direito. “Foi lendo Celso Lafer que cheguei a Hannah Arendt e Heidegger”, disse. Depois de lembrar que trabalharam juntos na USP, quando Goldemberg era reitor, e em 1992, ambos como ministros de Estado por ocasião da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, realizada no Rio de Janeiro, Goldemberg falou sobre a ação de Lafer à frente da FAPESP, destacando a expansão que ele deu às atividades de cooperação internacional.

“Cooperação internacional é essencial para trazer ao país o que há de melhor no mundo em todas as áreas e permitir aos nossos dirigentes fazer as melhores escolhas. Isto é o que distingue nações soberanas de colônias”, afirmou.

O presidente do Conselho de Administração do CIEE, Luiz Gonzaga Bertelli, destacou a multiplicidade de interesses e de atuações de Celso Lafer. “Celso Lafer é uma figura ligada à educação, política e Direito. Reconhecido internacional, tem um currículo invejável e representa o conjunto das figuras que já foram agraciadas pelo prêmio”, disse Bertelli.

Em seu discurso de agradecimento, Lafer disse que “o conhecimento, pela dedicação ao estudo e à pesquisa, está ao nosso alcance. Não é o caso do reconhecimento – uma dádiva que nos é conferida pelos outros na pluralidade da condição humana, como observou Hannah Arendt. É a dádiva do reconhecimento que assinala a concessão do Prêmio que hoje tenho a honra de receber e que quero muito sinceramente agradecer”.

Ele ressaltou a satisfação por se ver incluído entre os homenageados com o prêmio, dos quais destacou aqueles com quem teve maior proximidade e dos quais recebeu maiores ensinamentos. “Ruth Cardoso, a primeira agraciada, na convivência de muitos anos ensinou-me, com a qualidade analítica do seu olhar e a integridade do seu modo de ser, que, para entender o Brasil, era indispensável estar atento aos movimentos e às transformações da sociedade”.

Citou ainda Miguel Reale, que recebeu o prêmio em 1998, e de quem foi aluno, assistente e sucessor na cadeira de Filosofia do Direito na Faculdade de Direito da USP, e Antonio Candido, agraciado com o prêmio em 2003, de quem também foi aluno na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP.

Fez ainda uma referência especial aos professores Paulo Vanzolini e Saad Hossne, premiados, respectivamente, nos anos de 2004 e 2013, pelo papel de relevo que tiveram também na vida da FAPESP. “Considero os oito anos da minha Presidência na FAPESP o ponto alto de um professor universitário, empenhado no amparo à pesquisa e no apoio à formação, em todos os múltiplos campos do saber. Reconheço, agradecido, que parti do patamar legado pelos que me precederam nas instâncias decisórias da FAPESP, como os professores Vanzolini e Saad Hossne”.

Sobre José Goldemberg, Lafer destacou a sua liderança inovadora na gestão universitária, no seu período de reitor, e na pesquisa. “Liderança que fez dele a grande figura brasileira de reconhecimento internacional, sobre a energia nas suas múltiplas dimensões – não só a científica, mas as econômicas, sociais e ambientais – e que ao mesmo tempo, ao cuidar da sustentabilidade, ocupou-se das energias renováveis, deu o devido destaque ao papel do etanol, e vem pensando as políticas públicas, propiciadoras das melhores alternativas da composição da matriz energética brasileira”.

Celso Lafer é graduado em Direito pela Faculdade de Direito da USP, onde também tem livre-docência em Direito Internacional Público e em Filosofia do Direito, titulou-se mestre e doutor em Ciência Política pela Cornell University, nos Estados Unidos.

Foi ministro das Relações Exteriores em 1992 e entre 2001 e 2002, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio em 1999, e embaixador do Brasil junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) e à Organização das Nações Unidas (ONU) de 1995 a 1998.

Recebeu a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e o Prêmio Jabuti pela Câmara Brasileira do Livro. É comendador da Ordem do Congresso Nacional, grande oficial da Legião de Honra do governo da França e doutor honoris causa da Universidade de Buenos Aires e da Universidade Nacional de Córdoba, ambas na Argentina, da Universidade Lyon 3 Jean Moulin (França), da Universidade de Haifa (Israel) e da Universidade de Birmingham (Reino Unido).

Fonte Agência FAPESP