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Celso Lafer: “A Rio+20 vai ser importante de qualquer forma”

Publicado em 22 maio 2012

Por Thais Herrero

Em 1992, Celso Lafer era ministro das Relações Exteriores e acompanhou de perto os preparativos para a Cúpula da Terra, a Rio 92, sediada no Brasil. Hoje, fora do governo federal e como Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Lafer avalia o clima que precede a Rio+20. Tem esperanças de que o encontro da ONU para tratar do desenvolvimento sustentável tenha resultados. Para ele, até que o encontro termine, tudo pode acontecer. Tomando a história das outras conferências, porém, o cenário não é favorável. Leia a entrevista que Lafer concedeu a ÉPOCA.

ÉPOCA: A Rio+20 acontecerá como um marco dos 20 anos que se passaram desde a Rio 92. Qual a diferença entre esses dois momentos?


Celso Lafer: A Rio 92 aconteceu em um ambiente mais otimista, que foi favorável ao seu sucesso. No cenário internacional, havia a sensação de que o entendimento entre as nações era possível, principalmente porque a Guerra Fria tinha acabado. No Brasil, o governo Collor viu a conferência como a oportunidade de mostrar para o mundo um país redemocratizado. Ele queria enfatizar que a agenda brasileira estava em transformação e que o meio ambiente tinha atenção aqui. Era até um reflexo da Constituição de 1988, a primeira a consagrar a importância da pauta ambiental e da proteção das florestas. O resultado desses cenários juntos foi o primeiro e mais significativo evento internacional sediado aqui até hoje. A Rio 92 inaugurou e consagrou o conceito do desenvolvimento sustentável. Agora, nosso momento econômico e político está difícil e é desfavorável às negociações. Os países têm preocupações de curto prazo, como as eleições dos Estados Unidos e a crise econômica na Europa. A conferência trata de problemas de longo prazo. No Brasil, a Rio+20 até tem ganhado atenção, mas é um trabalho menos significativo do que o feito em 1992. O governo tem suas dificuldades de governabilidade, as CPIs e o Código Florestal, por exemplo.

ÉPOCA: E a Rio+10, feita em Johanesburgo, na África do Sul? Como comparar o cenário mundial  quando aconteceu?

Lafer: Aquela foi uma conferência de avaliação do percurso que se havia feito desde 1992. Não houve grandes resoluções, até porque também foi um momento de conflito e tensão. Era 2002, e o ataque ao World Trade Center e a guerra no Afeganistão ainda estavam muito quentes na pauta do mundo todo. Não se esperou muito daquela reunião e não saiu muito dela.

ÉPOCA: Vale a pena fazer a Rio+20, gastar milhões de reais, organizar toda a logística para receber milhares de pessoas aqui se talvez nada aconteça?

Lafer: Vale. O Brasil tem uma presença internacional mais significativa hoje do que tinha há 20 anos atrás. Nenhum dos grandes temas do meio ambiente, como emissões de carbono e biodiversidade pode ser equacionado no mundo sem o Brasil. E o encontro entre os chefes de estado vai ser importante de qualquer forma, nem que seja para criar uma atmosfera para firmar acordos no futuro.

ÉPOCA: Então, a Rio+20 pode não ficar só na avaliação e apresentar novas medidas?

Lafer: Não exatamente. Só vamos saber o que a Rio+20 vai trazer de concreto quando ela acabar. Ainda existe espaço para trazer resultados. Na Rio 92, vários assuntos só foram resolvidos quando a conferencia estava acontecendo. Nas semanas preparatórias, havia esse clima de insegurança. É normal.

Em 1992, Celso Lafer era ministro das Relações Exteriores e acompanhou de perto os preparativos para a Cúpula da Terra, a Rio 92, sediada no Brasil. Hoje, fora do governo federal e como Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Lafer avalia o clima que precede a Rio+20. Tem esperanças de que o encontro da ONU para tratar do desenvolvimento sustentável tenha resultados. Para ele, até que o encontro termine, tudo pode acontecer. Tomando a história das outras conferências, porém, o cenário não é favorável. Leia a entrevista que Lafer concedeu a ÉPOCA.
ÉPOCA: A Rio+20 acontecerá como um marco dos 20 anos que se passaram desde a Rio 92. Qual a diferença entre esses dois momentos?
Celso Lafer: A Rio 92 aconteceu em um ambiente mais otimista, que foi favorável ao seu sucesso. No cenário internacional, havia a sensação de que o entendimento entre as nações era possível, principalmente porque a Guerra Fria tinha acabado. No Brasil, o governo Collor viu a conferência como a oportunidade de mostrar para o mundo um país redemocratizado. Ele queria enfatizar que a agenda brasileira estava em transformação e que o meio ambiente tinha atenção aqui. Era até um reflexo da Constituição de 1988, a primeira a consagrar a importância da pauta ambiental e da proteção das florestas. O resultado desses cenários juntos foi o primeiro e mais significativo evento internacional sediado aqui até hoje. A Rio 92 inaugurou e consagrou o conceito do desenvolvimento sustentável. Agora, nosso momento econômico e político está difícil e é desfavorável às negociações. Os países têm preocupações de curto prazo, como as eleições dos Estados Unidos e a crise econômica na Europa. A conferência trata de problemas de longo prazo. No Brasil, a Rio+20 até tem ganhado atenção, mas é um trabalho menos significativo do que o feito em 1992. O governo tem suas dificuldades de governabilidade, as CPIs e o Código Florestal, por exemplo.

ÉPOCA: E a Rio+10, feita em Johanesburgo, na África do Sul? Como comparar o cenário mundial  quando aconteceu?

Lafer: Aquela foi uma conferência de avaliação do percurso que se havia feito desde 1992. Não houve grandes resoluções, até porque também foi um momento de conflito e tensão. Era 2002, e o ataque ao World Trade Center e a guerra no Afeganistão ainda estavam muito quentes na pauta do mundo todo. Não se esperou muito daquela reunião e não saiu muito dela.

ÉPOCA: Vale a pena fazer a Rio+20, gastar milhões de reais, organizar toda a logística para receber milhares de pessoas aqui se talvez nada aconteça?

Lafer: Vale. O Brasil tem uma presença internacional mais significativa hoje do que tinha há 20 anos trás. Nenhum dos grandes temas do meio ambiente, como emissões de carbono e biodiversidade pode ser equacionado no mundo sem o Brasil. E o encontro entre os chefes de estado vai ser importante de qualquer forma, nem que seja para criar uma atmosfera para firmar acordos no futuro.

ÉPOCA: Então, a Rio+20 pode não ficar só na avaliação e apresentar novas medidas?

Lafer: Não exatamente. Só vamos saber o que a Rio+20 vai trazer de concreto quando ela acabar. Ainda existe espaço para trazer resultados. Na Rio 92, vários assuntos só foram resolvidos quando a conferencia estava acontecendo. Nas semanas preparatórias, havia esse clima de insegurança. É normal.

(Thais Herrero)