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CDMF/FAPESP e Diretoria de Ensino aperfeiçoam aplicação de prova digital na região de São Carlos

Publicado em 06 agosto 2019

Nesta semana, de 5 a 9 de agosto, cerca de 10 mil alunos de 36 escolas da rede pública da região de São Carlos realizam mais uma rodada da aplicação pioneira de provas digitais – tablets, celulares (Android e IPhone) e na versão web – da chamada “Avaliação de Aprendizagem em Processo” (APP), promovida pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo junto às escolas de Ensino Fundamental e Médio para acompanhamento dos estudantes e consequente subsídio à progressão de aprendizagens ainda não consolidadas.

Oe projeto inédito deste aplicativo é fruto de parceria entre o Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF/FAPESP), sediado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a Diretoria de Ensino da Região de São Carlos e a Aptor Software, empresa gerada a partir do CDMF (spin off). O CDMF é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiados pela FAPESP. O Centro também recebe investimento do CNPq, a partir do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dos Materiais em Nanotecnologia (INCTMN).

Na aplicação das provas nesta semana, o CDMF/FAPESP contará a participação de 26 alunos de pós-doutorado, doutorado e mestrado. A Aptor Software com quatro especialistas que elaboraram o aplicativo.

Depois da aplicação exitosa da primeira prova digital– em etapa piloto – no mês de maio, para cerca de 8 mil estudantes de 15 escolas dos sete municípios que compõem a região de São Carlos, o aplicativo foi aperfeiçoado em seu sistema de segurança e a prova poderá ser acessada também através dos computadores das salas de informática das escolas. Em atendimento à demanda dos estudantes, também ficou mais fácil visualização das questões.

Um estudo estatístico foi realizado a partir dos dados obtidos na primeira aplicação da prova, revelando que o uso do aplicativo MetA-SP não interferiu no resultado das avaliações quando comparado à prova tradicional (impressa).

São Carlos realizará as provas em caráter experimental até junho de 2020 sanando todos os problemas para uma possível utilização do sistema para todo o Estado. O Projeto é realizado em consonância com a democratização do acesso à avaliação digital com as ações do Programa Inova Educação no eixo e com o Programa SP Sem Papel, anunciado pelo Governo do Estado na semana passada. Uma minuta de convênio já foi elaborada pelo governo para o desenvolvimento do projeto.

De acordo com a diretora regional de Ensino, professora Débora Blanco, “a meta é aplicar as avaliações digitais em 100% das escolas da regional de São Carlos, visando otimizar o tempo do professor e o melhor desempenho dos alunos e de forma sustentável entrar, definitivamente, no século 21”. Por outro lado, este aplicativo dinamiza o ensino e facilita as atividades dos professores, além de ser altamente ecológico. “Assim, o CDMF/FAPESP/UFSCar e Secretaria Regional de Ensino de São Carlos colocam-se na vanguarda, sendo um exemplo no campo da avaliação digital”, afirma o diretor do CDMF, Elson Longo. Juntamente com a prova digital, também está sendo aplicado o Ludo Educativo com 80 jogos educativos do ensino fundamental ao ensino médio.

Avaliação do Século XXI

Bimestralmente na Rede Estadual de Educação os alunos realizam avaliações, dentre elas a Avaliação de Aprendizagem em Processo – AAP, que tem como base a Matriz de Avaliação Processual, apresentando o desenvolvimento e aprendizado de cada aluno com foco nas habilidades leitora e escritora e raciocínio lógico-matemático. Tal ferramental permite orientar o processo educacional quanto às competências e habilidades a serem desenvolvidas com os estudantes, de acordo com a série e o bimestre.

A Diretoria de Ensino de São Carlos abrange os municípios de São Carlos, Itirapina, Ibaté, Dourado, Corumbataí, Ribeirão Bonito e Descalvado – e atende cerca de 27.000 estudantes, distribuídos em 46 unidades escolares. A cada edição da AAP, as provas de Língua Portuguesa possuem em média 8 folhas e de Matemática possuem em média 6 folhas, necessitando de aproximadamente 387.000 folhas.

Considerando que o gasto de água para a produção de uma folha de papel é em torno de 2 a 13 litros (UNESCO, 2010) e que a aplicação dessas avaliações é feita 4 vezes ao ano, o impacto, em termos de litros de água, por ano em nossa região é de 21.840.000 litros de água. No estado de São Paulo, que possui cerca de 3,7 milhões de estudantes na rede estadual de educação, esse impacto passa a ser de 2.693.600.000 litros de água por ano.

Além disso, tomando como base a afirmação de Fioritti (2015) de que uma árvore produz 15 resmas de papel, só para Diretoria de Ensino da Região de São Carlos são necessárias aproximadamente 50 árvores em cada edição da avaliação.

Esses números tão elevados nos levaram a pensar como a tecnologia poderia auxiliar em uma ação que diminuísse o impacto ambiental e fosse de baixo custo aos cofres públicos. Soma-se a isso a preocupação, enquanto educadores, com um processo educacional que abranja a construção integral das novas gerações, frente aos problemas ambientais causados por nossas ações cotidianas, e o uso da tecnologia a favor da aprendizagem.

Referências

FIORITTI, Renato Rodrigues; SILVA, Yasmin Mayara; D’ALMEIDA, Maria Luiza Otero. Pergunte ao Zé Pacel: Zé Pacel calcula o número de árvores para fazer uma folha de papel?. O Papel: revista mensal de tecnologia em celulose e papel, v. 76, n. 8, p. 58-59, 2015.

UNESCO-IHE, Delft, the Netherlands. Disponível em: https://waterfootprint.org/media/downloads/Report46-WaterFootprintPaper_1.pdf