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Folha da Cidade (Araraquara, SP) online

CDMF apresenta pesquisa que pode aumentar vida útil de para-raios

Publicado em 31 outubro 2015

O vice-diretor do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF), professor José Arana Varela, participou de uma reunião sobre materiais para transmissão de energia em Munique, na Alemanha. O evento reuniu mais de 600 pessoas – a maioria do setor empresarial – vindas de 70 países entre os dias 18 e 21 de outubro. Na ocasião foram discutidas estratégias de aplicação industrial de um novo componente que pode aumentar a vida útil e a segurança de para-raios em linhas de transmissão de energia elétrica.

Varela, que também é diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo (CTA) da FAPESP, contou que as empresas se mostraram interessadas em aplicar a nova tecnologia, que já vem sendo estudada pelo Centro há pouco mais de 15 anos. Os chamados varistores são limitadores de tensão presentes em para-raios. São eles que dissipam a corrente elétrica recebida por raios, protegendo as linhas de transmissão de curtos-circuitos.

Dentro de um varistor existe um composto químico feito de óxido de zinco (ZnO), porém, quando esse equipamento recebe uma alta carga elétrica precisa ser substituído por um novo. Com a nova tecnologia desenvolvida pelo CDMF, substitui-se o varistor antigo por um de dióxido de estanho (SnO2), metal com estrutura menor e mais simplificada. “A probabilidade do varistor de dióxido de estanho deteriorar é menor. A composição do estanho tem menos aditivos químicos e isso também ajuda o meio ambiente”, comentou Varela.

Segundo o pesquisador, ainda são necessários testes experimentais para aplicar o novo equipamento na indústria. “Foi por isso que fomos atrás de parceiros nesta reunião com empresários em Munique, nós temos resultados acadêmicos sobre a eficácia do dióxido de estanho nos varistores, mas isso ainda precisa ser mais observado experimentalmente. Houve uma resposta muito positiva por parte desses empresários para a produção industrial do equipamento que desenvolvemos”, apontou.

Brasil, país dos raios

O Brasil é o país com maior incidência de raios no mundo. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), cerca de 70 milhões de raios atingem o país todos os anos, uma média de duas ou três descargas elétricas por segundo. E especialistas alertam que a atividade humana e o processo de urbanização tendem a intensificar a incidência de raios.

Um raio pode chegar à potência de 100 milhões de volts, que comparado à energia que chega até as residências comuns, é como aumentar a potência de uma tomada em até 1 milhão de vezes. A sua corrente pode atingir 30 mil amperes, ou seja, tem intensidade mil vezes maior do que os chuveiros elétricos, por exemplo.

Sobre o CDMF

O CDMF é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiados pela FAPESP. O Centro também recebe investimento do CNPq, a partir do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dos Materiais em Nanotecnologia (INCTMN), integrando uma rede de pesquisa entre Universidade Estadual Paulista (UNESP), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade de São Paulo (USP) e Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN).