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Diário de S.Paulo online

Caxambu passa por avaliação ambiental

Publicado em 24 julho 2012

Por José Arnaldo de Oliveira

Um dos maiores bairros em extensão territorial de Jundiaí, o Caxambu vai ter até dezembro uma avaliação de condições ambientais produzido pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). O investimento, de R$ 217 mil, vem na maior parte de recursos estaduais, incluindo a contrapartida de R$ 70 mil da administração municipal. "O estudo garantirá condições ambientais ideais para o desenvolvimento de novos empreendimentos na região", afirma, em nota, o secretário Luiz Carlos Quadrelli, da pasta de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do governo estadual.

Entre os alvos do trabalho estão temas como as características climáticas do bairro, as emissões de gases, de acordo com os padrões oficiais, e as formas de uso das ocupações hoje estabelecidas na comunidade, entre outros dados.

Seis bairros

De acordo com o secretário Jaderson Spina, de Planejamento e Meio Ambiente de Jundiaí, a avaliação especializada é um dos "planos de bairro" previstos na recente revisão do Plano Diretor de Jundiaí, que envolvem ainda outras cinco áreas do município. "Sempre tivemos um bom planejamento urbano, mas faltava a informação mais precisa e detalhada. Dessa maneira, vai ser possível ajustar melhor as políticas públicas, desde o transporte até a assistência social, passando por tendências que, no caso do Caxambu, podem incluir o turismo e a gastronomia", afirma.

Também no prazo até dezembro, serão elaborados planos para os bairros do Jardim do Lago, Ivoturucaia, Jundiaí-Mirim, Vila Hortolândia e Novo Horizonte. Nos demais casos, o trabalho será feito pela Fupam (Fundação para a Pes quisa em Arquitetura e Ambiente), também ligada à USP (Universidade de São Paulo).

O cronograma deixa ao próximo governo a tarefa de realizar reuniões com a comunidade e discutir os diagnósticos em cada bairro para apontar suas prioridades a curto e médio prazos.

Programa técnico

O trabalho do instituto em Jundiaí está previsto no Patem (Programa de Apoio Tecnológico aos Municípios), que inclui, além do planejamento territorial, também áreas de infraestrutura pública, defesa civil, mineração, cerâmica, resíduos sólidos, recursos hídricos, agricultura irrigada, habitação, distritos industriais, turismo e arranjos produtivos locais.

Meio ambiente preocupa moradores do bairro

Sinais percebidos em junho pelos participantes do Dia da Limpeza do Rio Jundiaí-Mirim, realizado há 12 anos no Caxambu, são de que os riscos de resíduos industriais deram lugar ao lixo urbano. "A água continua potável, não se trata de poluição. São coisas como pneus ou sacos plásticos, dentro de nossa proposta educativa de alertar as pessoas de que o lixo jogado na rua pode acabar prejudicando os mananciais", diz o mergulhador Álvaro de Oliveira, o Jornada, que organiza o evento.

Ele lembra que já chegaram a encontrar capivaras mortas com tiros, indicando uma presença de caçadores naquela região.

Para ele, a iniciativa da DAE, empresa de saneamento no município, de abandonar o evento e promover uma ação própria no início do ano, foi positiva porque permitiu o uso de máquinas para a retirada de troncos que assoreavam o rio. "A qualidade da água do rio e de seus córregos parece boa, agora é preciso evitar a geração de lixo", define.

O interesse no meio ambiente também gerou duas "ONGs mirins" na escola municipal Duílio Maziero, na Roseira, Uma delas, na 3ª série, é chamada de Amigos da Onça e a outra, na 5ª série, é a DDM (Defensores dos Mananciais). "São projetos de educação ambiental, aproveitando as características da região. Pouco antes das férias combinamos uma soltura de pássaros com a ONG Mata Ciliar, mas choveu no dia e começaram as férias. Vamos ter outros eventos neste semestre, porque os passarinhos não podiam esperar mais para voltarem à natureza. E parte disso chega aos pais na feira de ciências em novembro", diz a diretora Rosana Branco.

Essas e outras iniciativas na comunidade indicam que o tema deve ser uma das prioridades do diagnóstico iniciado pelo IPT.

ESTUDOS prévios ajudam nos resultados

Bacia do Jundiaí-Mirim está mapeada

Um outro diagnóstico, agroambiental, foi realizado em 2001 pelo IAC (Instituto Agronômico de Campinas) e IEA (Instituto de Economia Agrícola), também ligados ao setor estadual. "É mais amplo porque inclui até partes de Jarinu.

Adegas são alvo de estudo arquitetônico

Também as adegas de vinho familiar foram analisadas em tese de mestrado de Evelyn Gregori na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), ainda inédito em livro. O estudo mostra o desenho de suas construções como manifestação cultural.

Sebrae atua em projetos de negócios

O Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio a Pequenas e Médias Empresas) teve atuação desde 2006 em projeto de desenvovlimento e produção de uvas e vinhos da região, que gerou depois o projeto de revitalização do setor com apoio da Fapesp (Fundação Estadual de Amparo à Pesquisa) que envolve também o Sindicato da Indústria do Vinho.

Roteiro gastronômico motivou o convênio

O protocolo de intenções para o estudo foi assinado em 21 de outubro do ano passado, durante o evento Acelera SP, no Ciesp Jundiaí, entre os governos estadual e municipal. A primeira versão tinha como foco o corredor gastronômico do bairro, onde existem restaurantes e adegas.

15 adegas integram a AVA (Cooperativa Agrícola dos Produtores de Vinho)

Estação anima os produtores rurais

Além de restaurantes como Spiandorello, Brunholi, Piatti Belli e outros, a região do Caxambu abriga a maioria das adegas de vinho familiar da cidade como Beraldo di Cale, Sibinel, Bosquini, Vendramini ou Mingotti, entre outras. "O inverno é uma época boa para o vinho", afirma Clemente Maziero, de uma das famílias.