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Jornal da Cidade (Bauru, SP) online

Catavento explora divulgação científica

Publicado em 30 março 2009

Agência Fapesp

São Paulo acaba de ganhar um novo espaço de divulgação científica, que reúne em 8 mil metros quadrados 250 instalações diferentes. O Catavento, espaço interativo de artes, ciência e conhecimento montado no antigo Palácio das Indústrias, foi inaugurado na última quinta-feira, pelo governador José Serra.

Inspirado nos principais espaços dedicados à iniciação científica do mundo, o Catavento teve investimento total de R$ 20 milhões. Fruto de parceria entre as secretarias de Estado da Cultura e da Educação, será administrado pela Organização Social Catavento Cultural e Educacional, sob a supervisão da Secretaria da Cultura.

“O Catavento é para fazer girar o ventos das ideias, do conhecimento, da curiosidade, para que as crianças aprendam mais e se preparem para a vida, para a tecnologia, para o trabalho e também para o lazer e divertimento”, disse o governador na cerimônia de inauguração.

No espaço, crianças, jovens e adultos podem tocar em um meteorito, conhecer o corpo humano por dentro, entender como funciona um gerador de energia ou descobrir que o Sol, visto de perto, não é tão redondo como parece.

Do átomo ao Sistema Solar, de minúsculos insetos aos maiores animais, das leis da física às transformações químicas, do ecossistema à questão da preservação ambiental, tudo é apresentado didaticamente e de maneira lúdica. Mostrando cuidado com os detalhes, as seções ganham iluminação e sons diferentes, contribuindo para criar uma atmosfera envolvente.

São quatro seções: Universo, Vida, Engenho e Sociedade. Em todas, vídeos, painéis e maquetes são utilizados como suporte didático, mas o destaque é a interatividade. Podem ser ideias simples, como pisar na Lua como se fosse o astronauta Neil Armstrong, o primeiro humano a andar pelo satélite terrestre. Ou apertar uma das estrelas que compõem a bandeira do Brasil e saber qual estado ela representa. Ou girar uma manivela e fazer uma pequena cidade inteira se iluminar, com o funcionamento de uma hidrelétrica em miniatura.

O Catavento reúne em aquários de água salgada anêmonas, corais, peixes carnívoros e venenosos, além de espaço com cerca de 700 borboletas amazônicas. Aranhas e escorpiões podem ser observados com lupas. Crianças podem observar simultaneamente, com auxílio de um monitor, as estruturas celulares em um microscópio com aumento de até mil vezes. Um prisma mostra a decomposição da luz branca.

Algumas das instalações interativas podem ser manipuladas sem ajuda - painéis explicam como fazê-lo. Outras necessitam de guias, educadores e monitores que interagem nas atividades: organizam jogos de perguntas e respostas, demonstram experimentos de química e explicam leis da física. No espaço dedicado à nanotecnologia, eles promovem uma gincana com as crianças.

“Existem muitos museus e espaços voltados para o ensino e a divulgação do conhecimento científico no mundo e na América Latina, e no Brasil, o Catavento pretende ser o nosso espaço de referência”, disse João Sayad, secretário da Cultura. O espaço fará parte do programa “Cultura é Currículo”, da Secretaria da Educação, cujo objetivo é democratizar o acesso de professores e alunos da rede pública estadual a bens e produções culturais e diversificar situações de aprendizagem.

“O Catavento é um espaço social e cultural, rico em objetos e ambientes de aprendizagem interativos e informais. É uma verdadeira escola viva, que ajuda a compreender como as coisas funcionam, não só para as crianças, mas a todos que quiserem entender mais sobre o mundo da ciência”, disse Sergio Freitas, presidente do Conselho de Administração da OS Catavento Cultural e Educacional.

O Catavento contou com o apoio de várias instituições. O Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo (USP) forneceu materiais e apoio técnico para toda a área do “Universo”. A Fundação Faculdade de Medicina entrou com a didática para a explicação das maquetes da instalação “Homem Virtual”, além dos filmes projetados na mesma seção. O Instituto Kaplan desenvolveu a instalação sobre gravidez na adolescência e doenças sexualmente transmissíveis. A Escola Politécnica da USP criou o “Passeio Digital”, uma viagem em três dimensões pelas paisagens do Rio de Janeiro.

Participação do público

O Espaço Catavento preenche uma lacuna deixada pelos museus do Estado de São Paulo: a necessidade de criação de uma área de exposição de História Natural, dedicada à educação de crianças, jovens e adultos em temas complexos de maneira lúdica. Nos moldes do Museu do Futebol, que funciona no Estádio do Pacaembu, e do Museu da Língua Portuguesa, na Estação da Luz, o novo espaço valoriza a participação do público nas instalações.

Como os outros espaços, o Catavento foi construído em uma estrutura já conhecida no cenário urbano paulistano. O Palácio das Indústrias, no Parque Dom Pedro II, região central, foi adaptado para receber constelações, animais, figuras históricas e, principalmente, estudantes.

“O prédio sempre foi razoavelmente conservado. Depois de um longo processo, concluímos que era o local ideal”, afirmou o presidente do Conselho da Organização Social Catavento, Sérgio Freitas. O Palácio já foi sede da Prefeitura até 2002 e pertence ao Estado oficialmente desde 2007. Foram 14 meses de trabalho para construir as 250 instalações presentes nos 8 mil metros quadrados do Palácio.