Ministério da Saúde paralisou aplicação do imunizante para investigar 42 casos de sintomas severos e duas mortes
O Ministério da Saúde anunciou, na segunda-feira, 8, a suspensão temporária da imunização contra a dengue no país com a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan. A pasta informou que 42 pessoas apresentaram sintomas mais severos após a vacinação, sendo que três precisaram de internação e duas morreram. As causas estão sendo investigadas.
Até o dia 30 de maio, pouco mais de 500 mil doses da vacina do Butantan foram aplicadas em todo o país. Em Catanduva, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, foram administradas 745 vacinas, sem qualquer registro de evento adverso. O imunizante foi incorporado ao SUS em janeiro, a partir do projeto-piloto em três municípios, sendo Botucatu o representante paulista.
Em fevereiro, o SUS passou a vacinar contra a dengue os profissionais de saúde da atenção primária. Os casos graves registrados foram identificados nesse público-alvo, mas são considerados inusitados, pois não apareceram durante o período de testes clínicos. Depois, a vacinação foi ampliada para adolescentes e adultos de 15 a 59 anos, que é a indicação aprovada.
O Ministério da Saúde destaca que a decisão de descontinuar a estratégia de vacinação não invalida a eficácia do imunizante e que as pessoas vacinadas ainda usufruem do benefício que a vacina oferece, que é a proteção contra a dengue. Enquanto a investigação prossegue, estados e municípios foram orientados a guardar as vacinas do Butantan até nova orientação.
A suspensão da vacinação vale apenas para a vacina produzida pelo Butantan, e não inclui o imunizante Qdenga, do laboratório Takeda e aplicado no público adolescente pelo SUS.
QUEM DEVE FICAR ATENTO
O grupo de pessoas que recebeu a vacina nos últimos 21 dias precisa ficar atento a sintomas como febre, dor no corpo, manchas na pele, sangramento e vômito. Se eles surgirem, a orientação é buscar atendimento médico. Esse período é quando a forma enfraquecida do vírus da doença ainda está no sangue, e por isso pode causar reações.
Guilherme Gandini