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A Tribuna (AC) online

Casos de zika são confundidos com dengue, diz estudo

Publicado em 13 agosto 2016

É o que sugere um estudo da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), apoiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Parte dos dados foi publicada neste mês no “Journal of Clinical Virology”.

 

Foram analisadas amostras de sangue de 800 pacientes que tiveram diagnóstico inicial de dengue (com base em sintomas clínicos e/ou em testes sorológicos) neste ano.

 

As amostras passaram por exames moleculares —mais precisos. A dengue foi confirmada em apenas metade dos casos (400). Em outros cem, o diagnóstico real era de zika. Em um, era da febre chikungunya e o restante, outras viroses não transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

 

Segundo o virologista Maurício Lacerda Nogueira, coordenador do estudo e que integra a Rede Zika, essa confusão deve estar acontecendo em todo o país, já que a grande maioria dos diagnósticos é feita da mesma forma.

 

O infectologista Marcos Boulos, coordenador de controle de doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, tem a mesma opinião. “Foi por isso que houve uma demora enorme em identificar o zika no Nordeste, no ano passado. Ele foi confundido com a dengue”, lembra.

 

Até 9 de julho, o país tinha registrado 1,4 milhão de casos de dengue contra 174 mil casos prováveis de zika, segundo o Ministério da Saúde.

 

ERRO DE DIAGNÓSTICO

 

Os erros de diagnóstico ocorrem por duas razões: os sintomas clínicos (que norteiam os diagnósticos) são muito parecidos, e os atuais testes sorológicos resultam em muitos falsos-positivos.

 

“Todo mundo busca um teste mais específico, mas ainda não chegamos lá”, diz Boulos. A única forma de ter certeza, explica Nogueira, é por meio de testes moleculares, como o PCR em tempo real.

 

Ocorre que eles são mais caros que os sorológicos e não estão disponíveis para toda a população. Os laboratórios públicos, como o Adolfo Lutz, priorizam mulheres grávidas e pessoas com suspeita de Guillain-Barré (uma das complicações neurológicas da infecção pelo zika).

 

Para ele, é fundamental buscar um diagnóstico correto, por meio de testes rápidos mais efetivos, que realmente discriminem as doenças. “Em termos individuais, é um direito do paciente saber o que ele tem”, diz Nogueira.