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Casos de reinfecção também são investigados no Brasil, mas não há confirmações; especialista alerta para chance de falsos positivos

Publicado em 25 agosto 2020

Por G1

Possíveis casos de reinfecção pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2) estão sendo investigados no Brasil, explicou em entrevista à GloboNews nesta terça-feira (25) o infectologista Fernando Bellissimo Rodrigues, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP.

Segundo o médico, além do primeiro possível caso de reinfecção, de uma técnica de enfermagem da faculdade, também são investigados outros dez pela universidade em Ribeirão.

Além dos pacientes em Ribeirão Preto, há mais possíveis reinfecções sendo analisadas no país: em São Paulo, o Hospital das Clínicas da USP montou um ambulatório para atender casos suspeitos. Também há investigações na BahiaGoiás e Minas Gerais.

A possibilidade de ter a Covid-19 pela segunda vez está em destaque novamente nesta semana porque, pela primeira vez, cientistas conseguiram comprovar que um paciente teve a doença duas vezes. O caso foi em Hong Kong.

Nesta terça, cientistas europeus afirmaram que há mais dois casos desse tipo: um na Holanda e um na Bélgica, mas não divulgaram estudos . Para comprovar que houve uma nova infecção, é necessário sequenciar o código genético de ambos os vírus, da primeira e da segunda infecção, para saber se se tratam de duas ocorrências, e não do mesmo vírus "reaparecendo" no corpo.

Implicações para vacina

Para Fernando Bellissimo, da USP em Ribeirão Preto, a confirmação da nova infecção pode reduzir o otimismo em relação às vacinas.

"Talvez elas funcionem por um tempo, mas não por tanto tempo quanto a gente gostaria que funcionassem. Pode ser que essa vacina acabe se tornando semelhante à vacina da gripe, que precise ser aplicada todos os anos", lembrou.

Na pesquisa de Hong Kong, os cientistas pontuam que uma vacina para a Covid-19 não deve ser capaz de fornecer proteção para a vida inteira. Além disso, recomendam que mesmo pacientes que já tiveram a doença devem ser imunizados.

"Novos estudos sobre reinfecção, que serão vitais para a pesquisa e desenvolvimento de vacinas mais eficazes, são necessários", afirmam.

Nesta terça, a OMS disse esperar que uma vacina gere uma imunidade mais forte ao vírus do que uma infecção natural.

"E, com uma vacina, o ideal que se quer é uma imunidade mais forte. É uma das coisas que se procura quando se estuda que tipo de imunidade a vacina gera", afirmou Margaret Harris, porta-voz da entidade.

Cautela

Mas Bellissimo também alerta que pode haver, entre os casos, falsos diagnósticos positivos. É possível que tenha havido, por exemplo, contaminação das amostras em Hong Kong.

"Não estou afirmando que aconteceram, mas podem ter acontecido, quando o paciente em questão não desenvolve sintomas compatíveis com o exame que lhe foi atribuído como positivo", explicou. Na primeira infecção, ele teve sintomas leves; na segunda, foi assintomático.

Na segunda-feira (24), após a confirmação do caso em Hong Kong, a Organização Mundial de Saúde (OMS) pediu cautela ao se analisar as possibilidades, porque, até agora, foram detectados poucas ocorrências entre os mais de 24 milhões de casos registrados em todo o mundo.

"Acho que é importante colocar isso em contexto", disse a líder técnica para Covid-19 da organização, Maria van Kerkhove.

"Houve mais de 24 milhões de casos relatados até agora, e precisamos olhar para isso a nível de população. É muito importante que documentemos isso, e, em países que podem fazer isso, que o sequenciamento seja feito. Isso ajudaria muito. Mas não podemos pular para nenhuma conclusão, mesmo que esse seja o primeiro caso documentado de reinfecção", lembrou.

A entidade reforçou a ponderação nesta terça, afirmando que os casos de reinfecção não parecem ser comuns.

"É um caso documentado em mais de 23 milhões", afirmou a porta-voz da entidade, Margaret Harris, sobre o caso em Hong Kong. "E provavelmente veremos mais casos, mas parece não ser um evento regular. [Ou] teríamos visto muito mais casos", disse.