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DCI

Casos de mortalidade decorrentes do vírus da Aids têm queda de 30%

Publicado em 13 fevereiro 2012

A disponibilização do acesso universal e gratuito ao diagnóstico e tratamento da Aids em São Paulo, a partir de 1996, resultou em uma queda de, em média, 30% da mortalidade e em um aumento de 50% na prevalência (número de pessoas vivendo com a doença) no estado durante os últimos anos. Essa queda drástica da mortalidade e aumento da sobrevida de pacientes com Aids está mudando o perfil da doença e provocando mudanças nas estratégias de atendimento dos pacientes em São Paulo, que tende a se tornar muito diferente da que o sistema de saúde conhecia e estava acostumado a lidar. -

As constatações são de um projeto realizado por pesquisadores de quatro instituições no Estado de São Paulo, incluindo as Faculdades de Medicina e Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP), o Instituto de Saúde e a Coordenação Estadual de DST/Aids da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo e a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). Financiado pela Fapesp por meio do Programa de Pesquisa em Políticas Públicas, o objetivo do estudo foi criar uma sistemática de diagnóstico de vulnerabilidade à Aids em São Paulo, por meio da seleção de indicadores sociais, individuais e programáticos, com a finalidade de identificar as comunidades e os segmentos populacionais em áreas geográficas, presentes no estado, que precisam do desenvolvimento de políticas públicas e outras intervenções específicas.

Para isso, os pesquisadores avaliaram o impacto da introdução dos antirretrovirais altamente potentes no estado a partir de 1996, analisando três indicadores epidemiológicos: taxa de mortalidade, prevalência e incidência (número de casos novos). Alguns dos principais apontamentos do estudo foram que, em função da introdução do programa, houve uma queda da mortalidade por Aids em todo o estado e a incidência também passou a cair a partir de 1998.

"Entre 1998 e 2005, que foi o último ano que analisamos, a queda da taxa de mortalidade foi de, em média, 30% e, dado que o tratamento não cura, verificou-se um aumento da prevalência de cerca de 50%. Também houve uma melhora da qualidade de vida dos pacientes", disse Eliseu Alves Waldman, pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da USP e coordenador do projeto, à Agência Fapesp.

De acordo com o pesquisador, de modo geral, o programa estadual de prevenção e controle de DST/Aids tem sido bem-sucedido em cerca de 93% dos municípios paulistas que apresentam casos de pessoas infectadas com o vírus da Aids.