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Revista Sustentabilidade

CASE: BNDES e Cbpak apostam alto em embalagens biodegradáveis

Publicado em 29 março 2011

Por por Marcello Sigwalt

O aumento da capacidade de produção em cinco vezes e uma transação inédita, com compra de participação acionária pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mostram que o substituto biodegradável do isopor feito a partir de fécula de mandioca deixou de ser um investimento de risco, apesar de seu preço mais caro, informou à Revista Sustentabilidade o fundador da Cbpak Cláudio Rocha Bastos.

No final de outubro de 2007 o BNDES anunciou um pacote de financiamento de R$ 4,2 milhões para a empresa de São Carlos, no interior de São Paulo, firmar-se no mercado de embalagens que cresce junto com a economia e, para Bastos, com o aumento das exigências do público por produtos com reduzidos impactos ambientais.

O pacote do BNDES inclui um empréstimo de R$ 2,3 milhões dentro da nova linha de inovação e produção e a compra, por parte do BNDES, de uma participação de 35% na Cbpak por R$ 1,9 milhões.

A assinatura do contrato de financiamento é resultado de 10 meses de complexas negociações com o banco, mas é também a coroação de quase uma década de trabalho de Bastos.

Ele teve a idéia de investir no produto em 2000, durante uma conversa com estudantes da USP de São Carlos, que indicaram a possibilidade de fazer um produto biodegradável de mandioca.

"Eu estava já com uma certa idade e queria deixar uma espécie de legado ligado ao meio ambiente", disse.

Engenheiro, Bastos então pesquisou o assunto durante dois anos ao mesmo tempo que buscava firmar parceria com os estudantes que tinham lhe dado a idéia inicial. Com o projeto feito, Bastos conquistou apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), parcerias que finalmente lhe permitiram contratar pesquisadores e bolsistas para desenvolver o produto.

O substituto do isopor desenvolvido pelos pesquisadores se decompõe entre 60 e 150 dias, dependendo da necessidade de impermeabilização. Ele é produzido por meio de um processo de termoexpansão de massa orgânica de fécula de mandioca, tendo como plastificante a água e um molde.

Com o processo desenvolvido, a Cbpak foi finalmente criada em 2002.

Mas, mesmo com a estrutura e o produto as dificuldades continuaram, contou Bastos.

Um dos maiores obstáculos foi a falta de máquinas para a produção. Para isso ele firmou uma parceria com uma empresa local, a fim de desenvolver e construir a máquina para fabricar o produto.

Até agora foram investidos R$ 2 milhões no projeto, informou Bastos.

Com os recursos da BNDES, a Cbpak deve expandir sua capacidade de produção de 150 toneladas atuais para 750 toneladas já em 2008, explicou.

O alvo inicial será a indústria alimentícia, mas Bastos já está pensando em oferecer o produto à indústria de eletroeletrônicos também. A característica degradável permite ainda inovações no uso, como a produção de produtos florestais que se decompõem.

O custo do produto da Cbpak ainda é quase o dobro do isopor, mas segundo ele a degradabilidade dá uma ampla vantagem, pois mesmo sendo mais caro, estudos mostram que seu produto nunca terá custo maior que 3,5% do preço final de um produto na gôndola dos supermercados, ou seja, de cada real de um produto, a embalagem vai custar 3,5 centavos.

O próximo passo será montar pequenas unidades da empresa próximas a fábricas de alimentos e ajudar na criação de uma norma brasileira para certificação de produtos biodegradáveis. Neste quesito, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) já está trabalhando para emitir a nota até ano que vem, informou Bastos.