Além de ser uma das frutas mais apreciadas no Brasil, a jabuticaba esconde em sua casca um potencial terapêutico surpreendente. Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) descobriram que o extrato da casca dessa fruta típica da Mata Atlântica é eficaz na prevenção do pré-diabetes, redução do acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática) e melhora de marcadores metabólicos, como colesterol e glicemia.
Desenvolvido em parceria entre o Instituto de Biologia (IB) e a Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, o extrato concentrado da casca de jabuticaba contém altos níveis de compostos fenólicos, como antocianinas — também presentes no vinho tinto —, conhecidos por seus efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios.
“Conseguimos criar um método que extrai uma grande quantidade de bioativos em pequeno volume, algo essencial para dosagens controladas”, explica Celina de Almeida Lamas, doutoranda do IB-Unicamp e coautora do estudo.
Para avaliar os efeitos, camundongos envelhecidos (11 meses) foram submetidos a uma dieta hiperlipídica — com cinco vezes mais gordura que o normal — por 60 dias.
Parte deles recebeu doses diárias do extrato (2,9g ou 5,8g por quilo de peso). Comparados ao grupo controle, os animais tratados tiveram:
A dose maior (5,8g) mostrou-se mais eficaz, especialmente na modulação de vias metabólicas associadas à obesidade e na restauração hepática.
“O extrato não só preveniu danos como reverteu parte das alterações causadas pela dieta e pelo envelhecimento”, destaca a professora Valéria Quitete, coordenadora do estudo.
Além do metabolismo: câncer de próstata em foco
Os pesquisadores também testaram o extrato em camundongos transgênicos com câncer de próstata. Resultados preliminares apontaram redução de lesões na próstata, diminuição do estresse oxidativo e controle de inflamações.
“Houve melhora significativa na morfologia do tecido, sugerindo um potencial terapêutico mais amplo”, complementa Quitete.
Com a patente em licenciamento, a expectativa é que o extrato possa ser usado futuramente em suplementos ou medicamentos.
“Estamos explorando como esses compostos podem complementar tratamentos tradicionais, especialmente para doenças relacionadas ao envelhecimento”, conclui Quitete.
*Da Agência