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Diário da Guanabara

Casca de jabuticaba pode revolucionar tratamento de diabetes e doenças hepáticas, aponta estudo da Unicamp (1 notícias)

Publicado em 04 de maio de 2025

Além de ser uma das frutas mais apreciadas no Brasil, a jabuticaba esconde em sua casca um potencial terapêutico surpreendente. Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) descobriram que o extrato da casca dessa fruta típica da Mata Atlântica é eficaz na prevenção do pré-diabetes, redução do acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática) e melhora de marcadores metabólicos, como colesterol e glicemia.

Desenvolvido em parceria entre o Instituto de Biologia (IB) e a Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, o extrato concentrado da casca de jabuticaba contém altos níveis de compostos fenólicos, como antocianinas — também presentes no vinho tinto —, conhecidos por seus efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios.

“Conseguimos criar um método que extrai uma grande quantidade de bioativos em pequeno volume, algo essencial para dosagens controladas”, explica Celina de Almeida Lamas, doutoranda do IB-Unicamp e coautora do estudo.

Para avaliar os efeitos, camundongos envelhecidos (11 meses) foram submetidos a uma dieta hiperlipídica — com cinco vezes mais gordura que o normal — por 60 dias.

Parte deles recebeu doses diárias do extrato (2,9g ou 5,8g por quilo de peso). Comparados ao grupo controle, os animais tratados tiveram:

A dose maior (5,8g) mostrou-se mais eficaz, especialmente na modulação de vias metabólicas associadas à obesidade e na restauração hepática.

“O extrato não só preveniu danos como reverteu parte das alterações causadas pela dieta e pelo envelhecimento”, destaca a professora Valéria Quitete, coordenadora do estudo.

Além do metabolismo: câncer de próstata em foco

Os pesquisadores também testaram o extrato em camundongos transgênicos com câncer de próstata. Resultados preliminares apontaram redução de lesões na próstata, diminuição do estresse oxidativo e controle de inflamações.

“Houve melhora significativa na morfologia do tecido, sugerindo um potencial terapêutico mais amplo”, complementa Quitete.

Com a patente em licenciamento, a expectativa é que o extrato possa ser usado futuramente em suplementos ou medicamentos.

“Estamos explorando como esses compostos podem complementar tratamentos tradicionais, especialmente para doenças relacionadas ao envelhecimento”, conclui Quitete.

*Da Agência