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Casca de arroz pode substituir uso de sílica

Publicado em 25 julho 2002

Uma tecnologia desenvolvida no Instituto de Física de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP), permite extrair a sílica da casca de arroz e dar uma destinação ambientalmente correia a um rejeito problemático para o produtor, com a vantagem adicional de gerar renda. "A casca corresponde a 207c do peso do arroz e contém bastante sílica (cerca de 20%), o que impede seu uso como adubo", explica o físico Milton Ferreira de Souza, coordenador do projeto, no laboratório de Ciência dos Materiais do Instituto. Normalmente extraída da areia, a sílica tem muitas utilidades industriais, como na fabricação de pasta de dente, sabonete e pneus. Na casca do arroz, porém, dificulta a biodegradação do resíduo e, quando isso acontece, dá origem a um solo arenoso e com pouca produtividade. Dessa forma, o material é normalmente queimado pelos beneficiadores de arroz nos engenhos, para aquecer os armazéns, dando origem a um pó preto advindo da presença da sílica na forma cristalina. Esse pó é tóxico e pode causar silicose (doença que faz o pulmão perder elasticidade) se for aspirado. De acordo com o professor Souza, uma amostra desse resíduo foi enviada ao Instituto de Física por produtores do Rio Grande do Sul - estado responsável por metade das 10 milhões de toneladas de arroz produzidas no país anualmente -, para que estudassem uma forma de tratamento do rejeito. "Pesquisando o material, tivemos a idéia de, ao invés de tratar o pó, tratar a casca de arroz para que não o gere", conta. O processo, desenvolvido com financiamento de R$ 20 mil da Fundação de Amparo à Pesquisa no listado de São Paulo (Fapesp), está sendo patenteado e consiste em aquecer a casca com ácido, para que os sais sejam retirados. "Até vinagre pode ser utilizado", afirma Souza. Depois disso, a casca pode ser queimada, gerando uma sílica branca e pronta para ser utilizada na indústria. Agência Estado