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Casa brasileira mantida por energia solar vai à competição internacional

Publicado em 14 janeiro 2010

Consórcio de universidades brasileiras desenvolveu a Casa Solar Flex, protótipo com sistemas de eficiência energética, que irá à Solar Decathlon Europe, competição internacional que reúne projetos de ponta na área de habitações autossustentáveis, informou a Revista Fapesp.

O Brasil é o primeiro país da América do Sul a participar do Solar Decathlon, competição entre universidades do mundo todo que tem como objetivo de ampliar conhecimento no campo da energia solar, formar profissionais nesse tipo de tecnologia e mostrar à sociedade que é possível morar utilizando mais energias renováveis.

A competição acontecerá em junho, em Madri, na Espanha, e terá a participação de universidades de nove países, entre eles Alemanha, França, México e EUA.

A habitação, projetada e construída por um consórcio de seis universidades brasileiras, será autossuficiente em energia elétrica obtida a partir dos raios solares.

O coordenador-geral do projeto é o professor Adnei Melges de Andrade, vice reitor do Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da Universidade de São Paulo.

A casa conta com painéis fotovoltaicos instalados verticalmente nas paredes exteriores, que podem ser movimentados automaticamente para os três lados da casa onde a radiação solar é mais forte ao longo do dia. Nos telhados, eles são horizontais e fixos.

A eletricidade produzida pelos painéis será injetada na rede elétrica da cidade de Madri. Dessa forma, a companhia local de distribuição de energia elétrica poderá receber a eletricidade gerada ao longo do dia e suprir a casa nos momentos em que ela não a produzir.

Uma das inovações do projeto brasileiro é a utilização de uma camada de parafina nas paredes de madeira certificada para manter a temperatura constante entre 22°C e 24°C. A parafina, que fica em microcápsulas no interior do revestimento de gesso interno da edificação, muda de estado de acordo com o calor externo: durante o dia ela absorve o calor, mantendo a temperatura interior agradável e à noite, com a queda da temperatura externa, ela solidifica, liberando o calor e aquecendo os cômodos.

Para absorver e liberar calor, um processo semelhante servirá à injeção de água nas paredes, pisos e teto. A Casa Solar Flex foi desenvolvida para atender, sem modificações, as necessidades de moradia em climas brasileiros secos ou úmidos, quentes ou frios, em locais tão discrepantes quanto Amazõnia, Rio Grande do Sul ou Ceará.

Os projetos serão submetidos a 10 provas baseadas na racionalização do uso e geração de energia. Cada um deverá ser capaz de fornecer energia para a iluminação e funcionamento de aparelhos eletrônicos, bem como de manter o conforto térmico. Os idealizadores da casa esperam que o projeto seja adotado por alguma empresa para comercialização, eventualmente utilizada para o turismo sustentável em regiões isoladas do país como a Amazônia.

A equipe brasileira foi montada por meio de um concurso que envolveu 17 projetos de seis universidades diferentes. Os primeiros colocados formaram um consórcio que envolveu a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Univesidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e USP e Unicamp.

A casa será montada este mês em área do Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE), da USP, onde será executada a fase de testes.

Cada equipe participante do Decathlon recebeu uma doação de cerca de R$255 mil, do Ministério da Habitação da Espanha. Apesar do projeto brasileiro também contar com financiamento de R$1,5 milhão da Eletrobrás e R$500 mil da Petrobras, o valor arrecadado não cobre o custo de transporte da casa para Madri, o que pode comprometer sua participação no concurso.