Notícia

Todo Dia (Americana, SP)

Carvão vegetal agride menos o ambiente

Publicado em 10 fevereiro 2010

Por Ana Carolina Athanásio - Agência USP

O Estado de Minas Gerais tem, atualmente, a maior concentração de siderúrgicas do mundo que utilizam o carvão vegetal como fonte de carbono. Pesquisa desenvolvida na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP mostra que essa fonte de energia é uma alternativa que não intensifica tanto o aquecimento global e, com o aumento do uso de eucaliptos como biomassa, ajuda a diminuir o processo de desmatamento das florestas brasileiras.

O economista Thiago Fonseca Morello, integrante do Nesa (Núcleo de Economia Socio-ambiental) da USP, estudou o uso e alguns problemas do eucalipto como fonte de energia para siderúrgicas em seu mestrado - Carvão vegetal e siderurgia: de elo perdido a solução para um mundo pós-Kioto - orientado pelo professor Ricardo Abramovay e com o auxílio da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp). O pesquisador busca entender de que maneira o carvão vegetal e o uso do eucalipto como fonte de carbono trouxeram soluções para siderúrgicas que passaram a utilizar essa fonte de energia.

Morello observa que um dos fatores que permite ao Brasil ser o único país do mundo a utilizar o carvão vegetal em siderúrgicas é a baixa quantidade de jazidas de carvão mineral no País. "Esse fato pode ser uma explicação para a insistência no uso de carvão vegetal. É necessário que as empresas importem o carvão mineral em grande escala, para baratear o preço, e isso tem uma série de implicações logísticas e ambientais. Por outro lado, somos um País rico em florestas e estas acabaram sendo utilizadas como fonte alternativa e mais barata de carbono", explica.

Um dos maiores problemas na utilização do carvão vegetal é o desmatamento florestal. Muitas siderúrgicas só passaram a investir no cultivo e manutenção das plantações de eucalipto quando perceberam a exaustão das florestas das quais costumavam retirar seu carvão. Morello salienta que essa opção das empresas por cultivar sua fonte de carbono trouxe fatores positivos, como a diminuição do desmatamento da floresta, e aspectos negativos, como o aumento das grandes plantações e da concentração de terras.