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Carro: pesquisa propõe materiais sustentáveis; gasto com combustível cairá

Publicado em 07 fevereiro 2008

Para reduzir os impactos ambientais causados pelos automóveis, os esforços se concentram na busca por um combustível limpo. Em contrapartida a essa idéia, o diretor do Centro de Biocompósitos e Processamento de Biomateriais da Universidade de Toronto (Canadá), Mohini Sain, propõe a introdução de materiais sustentáveis nos componentes usados na fabricação dos carros, que também podem gerar economia para o bolso do consumidor.

"Geralmente culpamos os combustíveis pela poluição, mas eles são apenas parte do problema. Os materiais são outra parte. Cada polímero usado em um componente de um carro resulta de um processo de transformação do petróleo cru em etanol, em butano e assim por diante. Portanto, as emissões causadas por um carro não saem apenas do escapamento", disse à Agência Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).


Projeto

De acordo com Sain, a pesquisa, chamada de Projeto Auto 21, inclui diversas partes do automóvel, como pára-choques, consoles, painéis, bagageiros e instrumentos. "A idéia é utilizar sempre compósitos reforçados por fibras naturais para substituir as partes de plástico, metal ou vidro. Cada componente que conseguimos substituir significa uma diminuição no consumo de petróleo cru no fim da cadeia produtiva", disse.

E essa substituição também se reflete no consumo dos veículos, já que o bioplástico é 10% mais leve do que os plásticos convencionais. "Cada quilo de plástico tirado de um veículo de uma tonelada economiza entre sete e nove litros de combustível por ano". As vantagens do uso desses materiais são gastar menos energia e baixar o risco potencial de poluição no momento de serem descartados. Esses compostos são facilmente recicláveis.


Carros "verdes"

Sain afirmou que a idéia não é criar de uma vez um carro sustentável, principalmente porque seria economicamente inviável. O pesquisador ainda afirmou que as pessoas veriam um carro totalmente "verde" não de forma positiva, mas como um automóvel mais caro e com menor rendimento. "Provavelmente, no futuro, haverá selos de certificação de sustentabilidade dos carros e o público exigirá isso. Mas é algo que precisa ser gradual".

Na visão do pesquisador, em cinco ou seis anos, haverá substituição de 50 a 100 quilos de componentes dos carros por esses biocompósitos. E, entre 10 e 20 anos, serão introduzidos outros 100 quilos. De 20 a 25 anos, ele acredita que metade dos carros será feito com o material.