Notícia

A Tarde (BA)

Carrasco de pianista brasileiro é extraditado

Publicado em 30 março 2013

O argentino Claudio Vallejo, procurado pela Interpol por crimes praticados na época da ditadura, na Argentina, foi extraditado na madrugada desta quinta-feira para Buenos Aires e entregue às autoridades. Segundo a Polícia Federal (PF), ele viajou para a Argentina em um voo comercial, acompanhado por dois policiais da Interpol de Buenos Aires.

Vallejo seria um dos torturadores do pianista brasileiro Francisco Tenório Cerqueira Júnior, o Tenorinho. Tenório era um dos pianistas favoritos de Vinicius de Moraes e participava de um show em Buenos Aires, em companhia de Vinicius, quando desapareceu em 1976.

Aos 54 anos, Vallejo estava foragido e se escondia em várias cidades do sul do Brasil nos últimos dez anos. Ele cumpria pena por estelionato desde o ano passado. Em Buenos Aires, ficará em presídio especial.

Ao saber da prisão no Brasil, o governo argentino pediu ao Supremo Tribunal Federal a extradição para cumprimento de pena no país de origem. A concessão foi dada pelo STF no dia 13 de março.

Acesso a arquivos

Os arquivos e prontuários do extinto Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo, (Deops), órgão de repressão do país no período da ditadura, poderão ser acessados na internet a partir de segunda-feira (1º). Ao todo, cerca de 1 milhão de páginas de documentação foram digitalizadas.

O trabalho é resultado da parceria entre a Associação dos Amigos do Arquivo Público de São Paulo e o projeto Marcas da Memória da Comissão de Anistia, do Ministério da Justiça, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

De acordo com o Ministério da Justiça, as informações, além de serem um importante registro histórico, poderão facilitar o trabalho de reparação feito pela Comissão de Anistia, uma vez que poderão ser usadas como ferramenta para que perseguidos políticos consigam comprovar parte das agressões sofridas.

A digitalização dos documentos foi feita em dois anos e deve continuar até 2014. Para a realização do trabalho, a Comissão de Anistia transferiu mais de R$ 400 mil à Associação de Amigos do Arquivo. Em dezembro de 2012, o Ministério da Justiça autorizou novo repasse, de mais R$ 370 mil, para digitalização de outros acervos. A cerimônia de lançamento do portal na internet está marcada para segunda, às 10h30, no Arquivo Nacional de São Paulo.

Dilma insatisfeita

Vítima de tortura durante a ditadura militar, a presidente Dilma Rousseff não está satisfeita com resultados alcançados até agora pela Comissão Nacional da Verdade e cobrou uma mudança de rumos nos trabalhos do colegiado. Em conversas recentes com pessoas do grupo, Dilma exigiu mais resultados concretos, já que pouco do que está sendo feito vem se tornando público. A principal intervenção da presidente foi no sentido de pedir que a comissão investisse mais nos depoimentos públicos de familiares, como forma de promover uma “catarse nacional”. Focos de resistência na comissão a esse tipo de atuação desagradaram o Palácio do Planalto, que acompanha de perto os trabalhos.