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Carneiros selvagens da Escócia encolhem por mudanças no clima

Publicado em 03 julho 2009

Carneiros selvagens da Escócia encolhem por mudanças no clima: Pesquisadores apontam que mudanças climáticas globais estariam por trás da diminuição, ocorrida nos últimos 25 anos, no tamanho de carneiros selvagens que vivem em ilhas da Escócia

Um importante exemplo do impacto das mudanças climáticas globais acaba de ser dado por pesquisadores do Reino Unido e dos Estados Unidos. O grupo descobriu que as alterações nas condições do inverno estão fazendo com que uma espécie de carneiro encolha.

O animal está diminuindo apesar dos benefícios evolucionários de ter um corpo maior, o que indica que as mudanças climáticas são capazes de superar a própria seleção natural. Segundo os autores do estudo, os resultados apontam para uma tendência que pode ocorrer no futuro com outras populações nativas.

O trabalho, publicado hoje (3/7) na edição on-line da revista Science, foi feito com carneiros de Soay encontrados na Escócia, uma linhagem selvagem e primitiva do carneiro doméstico (Ovis aries).

Tim Coulson, do Imperial College London, e colegas analisaram medidas de tamanho corporal e registros de eventos mais importantes nas vidas de fêmeas integrantes de uma população de carneiros de Soay. Os animais vivem na ilha Hirta, no arquipélago de Saint Kilda, e têm sido estudados desde 1985.

"Carneiros estão cada vez menores, pelo menos os carneiros selvagens em uma ilha remota na Escócia. A questão é que, de acordo com a teoria clássica da evolução, eles deveriam estar maiores, porque exemplares maiores tenderiam a ter mais chances de sobreviver e de reproduzir", disse Coulson.

Os dados foram inseridos em um modelo numérico capaz de estimar como uma característica como tamanho corporal mudará de acordo com o tempo devido à seleção natural e a outros fatores que influenciam a sobrevivência e a reprodução em um ambiente selvagem.

Os pesquisadores selecionaram tamanho do corpo por se tratar de uma característica hereditária. Segundo o estudo, embora exemplares maiores geralmente tenham maior chance de sobrevivência, os carneiros têm, em média, diminuído de tamanho nos últimos 25 anos.

De acordo com os pesquisadores, os resultados sugeram que a diminuição no tamanho corporal é primariamente uma resposta ecológica à variação ambiental no período. Segundo eles, mudanças evolucionárias não tiveram papel significativo nesse caso.

O ponto principal é que os cordeiros não estão crescendo tanto como ocorria há 25 anos. O estudo aponta que, à medida que os invernos têm se tornado mais curtos e menos rigorosos, por conta das mudanças climáticas, os filhotes não precisam mais ganhar tanto peso em seus primeiros meses de vida de modo a sobreviver até se tornar adultos.

Ou seja, mesmo indivíduos com crescimento mais lento passaram a ter maiores chances de sobreviver, ainda que menores em tamanho do que seus antecessores.

O artigo The dynamics of phenotypic change and the shrinking sheep of St. Kilda, de Tim Coulson e outros, pode ser lido por assinantes da Science em www.sciencemag.org.

Agência Fapesp