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Rosa Choque

Carnaval o som alto é prejudicial ao ouvido

Publicado em 09 fevereiro 2019

No período de Carnaval algumas pessoas ‘extravasam’ mais do que de costume, comportamento que pode trazer prejuízos à saúde, como, por exemplo, aos ouvidos, pois elas passam a ter um sintoma muito comum na população: o zumbido. “O zumbido é uma indicação de que algo de errado está acontecendo no organismo, como se fosse um desajuste, devido ao excesso de som alto, ingestão de gordura, cigarro, álcool e até alguns medicamentos ingeridos. E é neste período que as consultas no consultório com pessoas com o zumbido e outros problemas aumentam”, explica Dra. Tanit Ganz Sanchez.

O som alto dos ensaios das Escolas de Samba, dos shows e das baladas podem causar o chamado “Trauma Acústico” - uma lesão no ouvido interno frequentemente causada pela exposição a ruídos com decibéis elevados e que pode ocasionar na perda de audição entre 30 e 40 anos de idade e podem causar o temido zumbido no ouvido, que pode ser considerado como um sintoma da perda auditiva precoce, embora, a maioria dos casos de zumbido sejam diagnosticados após a idade de 50 anos, devido aos medicamentos e maus hábitos alimentares, o quadro persistente pode ocorrer em qualquer idade

A dica da especialista para evitar isso é colocar os protetores auriculares, já usados até pelas celebridades do carnaval, e fazer um intervalo de hora em hora do barulho, além de se manter distante das caixas acústicas. “Esse cuidado é necessário para que os tímpanos ou qualquer outra parte do canal auditivo não sejam afetados, pois temos muitos pacientes sendo tratados devido a essas exposições e o som alto, que pode até causar danos irreversíveis, como possivelmente apresentará perda de audição entre 30 e 40 anos de idade”, complementa a Profa Dra. Tanit Ganz Sanchez.

Os números do zumbido no ouvido: O zumbido no ouvido ocorre em pessoas de todas as idades, inclusive crianças e adolescentes, podendo comprometer o sono, a concentração na leitura, o equilíbrio emocional e até a vida social, profissional e familiar. Aumento progressivo do número de pessoas com Zumbido: Um levantamento do ‘Instituto Ganz Sanchez’ estima que no Brasil existam de 34 a 48 milhões de pessoas com zumbido no ouvido, tratando-se de um aumento expressivo em relação aos 28 milhões estimados há quase 20 anos. Surdez antes dos 40 anos: A pesquisa “Prevalência e causas de zumbido em adolescentes de classe média/alta”, realizada com apoio da FAPESP e publicada na revista Scientific Reports, do grupo Nature, mostrou que, entre 170 adolescentes de 12 a 17 anos de uma renomada escola privada de São Paulo, 54,7% confirmaram ter ou já ter tido zumbido nos últimos 12 meses. Desses, mais da metade percebia ou piorava do zumbido após exposição a música alta.

Para a especialista, Dra. Tanit GAnz Sanchez, essa porcentagem surpreendeu muito, já que a expectativa era de um resultado semelhante aos 37% revelados em seu estudo prévio com 506 crianças. Considerando que o zumbido afeta os ouvidos mais vulneráveis, essa constatação aponta para uma situação mais grave: “Se essa geração de adolescentes continuar se divertindo na presença de níveis elevados de ruído, provavelmente apresentará perda de audição antes dos 40 anos, mesmo que a estimativa de vida chegue a perto dos 100 anos”, ou seja, teremos uma legião de surdos cada vez mais jorvens, estimou a médica.

11 dicas para evitar o zumbido nas festas e comemorações:

1 - Em locais barulhentos: use protetores de ouvido e faça intervalos de 10minutos por hora. Não ache “normal” sair da balada com zumbido!

2 - Com fones de ouvido: evite ultrapassar a metade da potência ou usar por mais de 2 horas.

3 - Alimente-se 4 a 6 vezes ao dia, evitando abuso de cafeína, doces, sal, álcool e nicotina.

4 - Hidrate-se bem para seus rins eliminarem melhor as toxinas.

5 - Exercite-se 5 vezes por semana: seu metabolismo e circulação vão melhorar.

6 - No caso de Zumbido, troque o silêncio por estimulação com baixo volume de sons suaves, mesmo durante a leitura ou o sono. Isso ajuda no controle do zumbido e da hipersensibilidade aos sons.

7 - Diminua o tempo de celular direto no ouvido, pois a radiação eletromagnética pode ser prejudicial.

8 - Evite automedicação: certos remédios podem agredir os ouvidos.

9 - Alivie seu estresse com atividades relaxantes como yoga, meditação, Tai-Chi-Chuan, Chi-Cong etc.

10 - Incorpore mais momentos de prazer na sua vida para restaurar a função dos órgãos.

11 - Visite seu médico regularmente para exames preventivos gerais e auditivos.

Sobre a especialista

Profa Dra. Tanit Ganz Sanchez: Otorrinolaringologista com doutorado e livre-docência pela USP, Diretora-Presidente do Instituto Ganz Sanchez, criadora da Campanha Nacional de Alerta ao Zumbido (Novembro Laranja) e do Grupo de Apoio Nacional a pessoas com Zumbido. Assumiu a missão de desvendar os mistérios do zumbido e é pioneira nas pesquisas no Brasil, sendo reconhecida por sua didática, objetividade e compartilhamento aberto de ideias. É especialista em Zumbido, Hiperacusia, Misofonia e Distúrbios do Sono.