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Carlos Joly: um exemplo a ser seguido

Publicado em 07 março 2013

Entre os grandes temas contemporâneos surgidos nas últimas décadas está, certamente, o da biodiversidade. Expressão complexa, definida por tratado internacional de 1992, contempla, de maneira geral, a “vida no planeta”.Cada vez mais a ciência reconhece as ameaças sobre a biodiversidade: fragmentação dos hábitats, espécies invasoras, aquecimento global, entre muitas outras. Aliás, não podemos esquecer que a biodiversidade está elencada entre as nove fronteiras planetárias perigosas de serem ultrapassadas pela humanidade, de acordo com a manifestação dos cientistas na Rio+20.

O Brasil, particularmente, tem um grande papel estratégico nesta temática pelo fato de estar entre os grandes países megabiodiversos. Afinal, temos, no território nacional, muitos biomas especialíssimos - Mata Atlântica, Amazônia, Pantanal, Cerrado, Caatinga e Pampas.

No caso da Amazônia, devemos lembrar que trata-se da maior floresta tropical contínua do planeta. O Pantanal, por sua vez, é o maior complexo ecológico composto por áreas inundadas.

Cerrado e Caatinga são portadores de porções de biodiversidade que existem apenas em seus territórios e, diante das ameaças do aquecimento global, conhecer algumas de suas espécies será indispensável para a sobrevivência de grande parte da agricultura brasileira.

No ano de 2010, em Nagoya, houve a decisão de se criar o IPBES - Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos. Este, inexplicavelmente, deveria ter sido criado na mesma época do IPCC - Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, permitindo, assim, a articulação entre todo o conhecimento científico produzido no mundo sobre a biodiversidade, ensejando políticas públicas e a mobilização da opinião pública.

Existem algumas pessoas no Brasil que têm reconhecimento internacional pelo pioneirismo de suas iniciativas e pelo esforço de conhecer a nossa biodiversidade e colocá-la na agenda da sociedade.

Entre estas, há que se destacar o trabalho de Carlos Joly, professor da Unicamp e idealizador do programa Biota-Fapesp. Este, hoje replicado em muitos estados brasileiros, surgiu com a ideia de conhecermos a biodiversidade paulista, a partir do que torna-se possível conservá-la. E, mais do que isso, implantar o que hoje chamamos de "economia da biodiversidade", um dos mais importantes e inovadores projetos políticos de construção de uma agenda do século XXI.

Por ser um dos principais cartões de visita do Brasil no tema da biodiversidade, Carlos Joly foi eleito um dos 25 membros do mundo que irão participar do Painel Multidisciplinar de Especialistas do IPBES.

Sua indicação representa também o reconhecimento de uma postura da academia que transcende as Torres de Marfim, com engajamento permanente na discussão de políticas públicas.

Assim tem sido a vida deste professor universitário, que na década de 80 ajudou a escrever o capítulo de meio ambiente da Constituição Brasileira de 1988 e que sempre esteve presente nas grandes discussões planetárias sobre desenvolvimento sustentável e biodiversidade. Joly, enfim, é alguém que serve de inspiração para todos que têm esperança por um mundo melhor.

Fábio Feldmann é consultor em sustentabilidade

Por Brasil Econômico - Fábio Feldmann **