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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Carlos Joly faz um histórico do Biota/Fapesp a convite do DPCT

Publicado em 25 outubro 2013

Por Luiz Sugimoto

“Políticas de pesquisa em biodiversidade: o panorama nacional e internacional” foi o tema da palestra que o professor Carlos Alfredo Joly, do Instituto de Biologia (IB), concedeu na manhã desta sexta-feira a convite do Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT), no auditório do Instituto de Geociências. Joly, entre inúmeras atribuições, é coordenador do Programa Biota/Fapesp e do Programa de Doutorado em Ambiente e Sociedade da Unicamp, e vice-presidente do Painel Interdisciplinar de Especialistas da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistemas (IPBES).

“Sendo a palestra no DPCT, vim discutir um pouco sobre as políticas de pesquisa em biodiversidade, que é talvez uma das áreas mais antigas no Brasil. Tivemos a partir do final do século 17, mas principalmente no século 19, um grupo grande de europeus, especialmente de franceses e austro-húngaros, levantando informações e coletando material no país. E o Jardim Botânico, do Rio de Janeiro, é a nossa mais antiga instituição na área, com mais de 200 anos”, disse Carlos Joly ao introduzir o tema.

Segundo o docente do IB, a organização e estruturação das pesquisas em biodiversidade são bem mais recentes, a partir da criação do CNPq e das Fundações de Apoio à Pesquisa. “Nos primórdios das agências de fomento, havia apenas auxílios e bolsas, até que as características da pesquisa nesta área exigiu, em 1978, a criação de um projeto especial coordenado pelo professor José Galizia Tundisi, para estudar a tipologia das represas do Estado de São Paulo. O projeto representou um marco tanto do ponto de vista da fauna e da flora, como também da qualidade da água e da dinâmica desses ecossistemas.”

Carlos Joly lembrou que a Fapesp oficializou a linha de projetos temáticos no início dos 80, ampliando o espectro temporal para quatro anos de pesquisa e contemplando equipes com vários pesquisadores principais. “Outra iniciativa importante, que tem muito a ver com o surgimento do Biota, é de 1995, quando o professor Hermógenes Leitão Filho, nosso colega na Unicamp, reuniu os botânicos do Estado para escrever a “Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo” – projeto em andamento que já possui oito dos 15 volumes previstos. Até hoje, existe apenas a “Flora brasiliensis”, de Carl von Martius, publicada entre 1840 e 1906. São Paulo possui algo em torno de 7.500 espécies de plantas, enquanto a Europa, como um todo, registra apenas 1.800.”

Tendo acompanhado o nascimento do Projeto Flora e estando na coordenação da área de Ciências Biológicas da Fapesp, Carlos Joly, juntamente com o professor Naercio Menezes (do Museu de Zoologia da USP), propôs à agência paulista a criação de uma iniciativa especial em relação à pesquisa em biodiversidade. “As informações das pesquisas financiadas pela Fapesp ficavam fragmentadas e achamos interessante a ideia de integrá-las. O Biota começou a ser planejado em 95 e, em 98, submetemos um conjunto de projetos que foram aprovados a partir de 99. E o programa teria uma série de desdobramentos.

Previsto para durar 10 anos, o Biota construiu nesse período um banco de dados contendo quase 12 mil espécies e todas as coordenadas geográficas, bem como mapas de remanescentes da vegetação nativa – tudo isso com acesso livre na internet. A partir do orçamento médio de R$ 8 milhões anuais, foram financiados 94 projetos, com várias publicações de trabalhos em periódicos, além de livros e mapas. O impacto foi igualmente grande na formação de recursos humanos, com a titulação de 169 mestres, 108 doutores e 79 pós-docs. “Todo esse conjunto de produções e a elaboração de 23 leis, decretos e resoluções para aperfeiçoamento da legislação ambiental, que citam diretamente os resultados do Biota, nos encorajou a solicitar à Fapesp a prorrogação do programa, aprovada até 2020.”

25 anos do DPCT

O DPCT está comemorando 25 anos dedicados a atividades de pesquisa no campo do desenvolvimento científico e tecnológico e da inovação, alimentando a docência de pós-graduação (mestrado e doutorado) e, com seus resultados, também a graduação. “Até o mês de outubro formamos 207 mestres e 103 doutores, todos eles distribuídos pelo Brasil, América Latina e alguns pela Europa. O departamento é pequeno, mas o balanço é que estamos tendo êxito em nossas atividades”, afirmou a professora Leda Maria Gitahy, chefe do DPCT.

A respeito do estranhamento que ainda é causado pela lotação do Departamento de Política Científica e Tecnológica dentro do IG, Leda Gitahy recorda que o professor Amilcar Herrera, que veio criar o instituto a convite de Zeferino Vaz, era além de geólogo um expoente em política de C&T na Inglaterra. “A justificativa é a que ele deu: trata-se de uma área interdisciplinar, que poderia estar em qualquer instituto, e se está aqui é porque fizemos primeiro.”