Notícia

Brasil Econômico

Captação de verbas federais vira desafio para o programa paulista

Publicado em 16 abril 2010

O grande desafio do plano lançado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) será mobilizar uma maior participação federal nos investimentos, segundo Carlos Henrique de Brito Cruz, presidente da entidade. Atualmente, os gastos federais representam 13% do total paulista no setor, enquanto na maior parte das demais unidades da federação o montante supera 50%.São Paulo forma quase metade dos doutores do país e 50% das publicações científicas.

Mas só recebe 20% das verbas federais, raciocina o dirigente da Fapesp, atribuindo a falta de instituições de ensino federais de grande porte no estado como um dos motivos para a escassez. São elas que trazem o grosso do investimento, lamenta. Jáo sociólogo Glauco Arbix reconhece o peso da estrutura de pesquisa já montada em São Paulo, mas defende que é necessário levar conhecimento para outras áreas do Brasil. Precisamos diversificar e descentralizar. Outras regiões têm demandas extremamente importantes. É a mesma linha defendida pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende. São Paulo é a locomotiva da ciência e tecnologia do Brasil. Mas precisamos levar em consideração a situação do país como um todo, afirmou.

O ministro lamentou obstáculos para a execução de recursos, como a proibição recentemente imposta pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para convênios da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) com universidades, devido ao que chamou de detalhes burocráticos. Rezende explicou que o governo está negociando com os líderes do Congresso a edição de uma Medida Provisória (MP) para regularizar a situação dos convênios.

O ministro ressaltou também a importância do investimento das empresas em P&D no estado de São Paulo. No Brasil as empresas investem muito pouco em ciência e tecnologia, mas se existe um lugar onde isso acontece é São Paulo. De fato, o setor privado responde por 62% do total estadual empenhado na área. Portanto, qualquer plano que preveja aumento dos investimentos precisa elevar os gastos empresariais. O principal mecanismo usado hoje para captar recursos é o dos incentivos fiscais. Segundo estudo do Instituto de Economia da Unicamp, o empenho de recursos para P&D no Brasil ainda está focado na Lei da Informática e na Lei do Bem.

Mas esses dois mecanismos mostram alcance limitado: atingem apenas 800 companhias do universo de 6 mil empresas nacionais que investem no segmento. De modo geral, as empresas brasileiras são poucas inovadoras, alerta Arbix. E conclui: a economia brasileira precisa remunerar melhor a inovação, de modo a recompensar as empresas que investem em P&D, porque é um gasto complicado, que envolve risco. E mudar essa mentalidade também não vai acontecer do dia para a noite.