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Captação de recursos para startups de biotecnologia

Publicado em 08 agosto 2020

Na última terça-feira, 04 de agosto, a Max Grow realizou uma live sobre a captação de recursos para startups de biotecnologia. O bate papo foi mediado por Paulo Adriano Borges, nosso CEO, e ocorreu entre o fundador de uma startup e representantes de diferentes fontes de recursos.

De forma didática e aplicável, nossos painelistas abordaram as melhores práticas para seguir a difícil jornada empreendedora pela busca de capital.

Venture Debt

Gabriela Gonçalves, general partner na Brasil Venture Debt, iniciou a conversa explicando que, apesar de ser um modelo já estruturado nos Estados Unidos há mais de 40 anos, o conceito ainda é recente em território nacional.

O Venture Debt (VD) é um tipo de crédito ofertado a startups e empresas inovadoras que, diferente das operações de crédito tradicionais, não é remunerado apenas pelos juros. Nessa modalidade, a remuneração principal é o Kicker, que é associado ao sucesso da empresa.

Como não se trata de uma dívida bancária tradicional, o VD precisa ser mais flexível e até mesmo criativo para encontrar garantias que se encaixam no modelo asset light das startups. Nesse caso, exemplos de garantias comumente praticadas são os contratos de longo prazo não performados, patentes e código-fonte.

Segundo Gabriela, a análise feita por um VD é bem similar as feitas por um VC (Venture Capital): baseadas na inovação e no potencial de crescimento da startup. No entanto, o VD é um pouco mais conservador, uma vez que considera as chances da startup tornar-se minimamente lucrativa para aqueles casos onde, por algum motivo, a startup não conseguirá captar investimento subsequentes.

Ao contrário dos VCs, o VD não passa a compor o board da startup. Portanto, para o VD é muito importante considerar a maturidade da startup e do time encarregado pela gestão, sendo assim, a presença de um VC profissional no cap table é pré-requisito para o VD.

Um outro ponto ressaltado foi que este tipo de recurso é adequado para momentos de transformações das startups, não devendo, portanto, ser encarado como uma resolução de problema imediato no caixa, mas sim como uma solução estratégica para alcançar determinado(s) milestone(s).

Na Brasil Venture Debt, o valor do cheque gira em torno de R$ 1 a 13 milhões para empresas com faturamento entre R$ 4 e 90 milhões/ano.

Venture Capital

Vinicius Magalhães, associate da Triaxis Capital, pontuou que a análise dos fundos de investimento tem um padrão comum independente do segmento em que a startup está inserida, porém, biotecnologia tem peculiaridades que precisam de atenção.

Ele destacou que um ponto muito importante é a equipe. O time que compõe essas empresas normalmente é muito técnico e acadêmico. Isso faz com que os fundadores foquem muito na tecnologia e acabem esquecendo (ou até mesmo menosprezando) os aspectos mercadológicos. Dessa forma, o VC valoriza muito quando alguém de perfil gerencial faz parte do time, na condição de sócio.

Sobre o tema mais polêmico entre startups e fundos de investimento, o valuation, Vinícius afirmou que realmente é difícil fazer uma definição do valor de qualquer startup. Mas, o que é mais praticado no mercado é a análise com base no fluxo de caixa descontado. Ele mencionou que, na prática, as projeções de empresas nascentes se baseiam numa multiplicação de incertezas, portanto, a expectativa é que as projeções realmente não se concretizem. Vinicius ainda brincou que, considerando tudo isso, o fundo de investimento sempre torce para errar a projeção para abaixo do que se tornará realidade.

Para os empreendedores em busca de investimento, Vinícius pontuou que, assim como os VCs escolhem as startups, é muito importante que as startups também escolham os VCs, focando naqueles que possam contribuir efetivamente para o seu negócio. Ele também orientou a sempre buscar fazer o projeto o mais enxuto possível, analisando se de fato há necessidade de todo o valor pretendido e evitando ao máximo qualquer tipo de imobilização do capital.

Instituições de fomento

Representada pela Luciana Hashiba, coordenadora adjunta de pesquisa para inovação da FAPESP, a instituição de fomento é provavelmente a fonte de recurso mais conhecida pelos empreendedores que vieram da academia.

Luciana pontuou que uma grande dificuldade é fazer com que o cientista entenda que o foco não deve ser maior na solução propriamente dita, mas sim no problema que está sendo resolvido.

Ela ainda disse que o empreendedor não precisa esperar a tecnologia ficar 100% pronta para começar a desenvolver os aspectos mercadológicos, mas fazer com que os cientistas adquiram competências de negócios talvez seja um dos maiores desafios do empreendedorismo científico.

Luciana destacou que nossas instituições acadêmicas estão tentando e se esforçando cada vez mais, porém, elas ainda não conseguiram incorporar o empreendedorismo em suas rotinas. Dessa forma, os pesquisadores que realmente querem desenvolver um negócio precisam ser praticamente heróis e correr atrás das suas ambições sozinhos.

A realidade do empreendedor

A captação de recursos de uma empresa em um mercado altamente regulado e que exige muito capital definitivamente não é fácil. Gustavo Palhares, CEO & Founder da Ease Labs, laboratório farmacêutico de produtos à base da cannabis, contou um pouco da sua experiência.

Ele falou da importância de buscar investimento no momento certo, ou seja, a empresa precisa estar realmente preparada para iniciar uma conversa com um investidor. Gustavo lembrou da primeira vez que a Ease Labs foi até um fundo de investimento e estava extremamente imatura para esta conversa. Segundo ele, fazer o dever de casa é importante: é necessário levantar o máximo possível de evidências que mostrem que seu modelo de negócio foi construído em bases sólidas e que é viável.

A Ease Labs levantou recursos de “family and friends”, anjos e investidor profissional. Recentemente, a empresa anunciou o recebimento de um aporte do fundo Next da Alvarez & Marsal.

Ele relatou que, antes da abertura da empresa, ele e seu sócio pesquisaram exaustivamente sobre como o segmento de cannabis se comportava ao redor do mundo e como ajustá-lo à realidade do mercado brasileiro. Quando a Ease Labs foi fundada, a regulação brasileira permitia apenas a importação dos produtos diretamente pelo paciente. Lidar com a adaptação do modelo de negócios à medida que a regulação brasileira evoluiu foi crítico para o sucesso da empresa até este momento.

Gustavo (advogado) e seu sócio Guilherme (do mercado financeiro) fizeram o caminho contrário da maioria deste setor: como não detinham conhecimentos técnicos, precisaram de atrair as pessoas dessas áreas para compor a sua empresa. Sobre essa questão de expansão do time, seja no corpo societário ou de colaboradores, Gustavo destacou sobre a importância de perpetuar a cultura da empresa desde o momento da incorporação dessas pessoas.

Considerações finais

Ao longo de quase 2 horas de bate papo, praticamente tivemos uma aula de como, quando e onde uma startup de biotecnologia pode buscar investimento.

Se você ainda não assistiu a live, não se preocupe! O vídeo completo desse encontro está em nosso canal do youtube e você pode assistir aqui embaixo.

Mas, se você é empreendedor, assistiu a live e acredita que está no momento certo para captar investimento, a Max Grow está buscando startups inovadoras para seu programa de venture builder. Você pode fazer sua inscrição no link a seguir: https://gust.com/programs/max-grow-ventures

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