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Capital de risco para empresa desenvolver tecnologia

Publicado em 02 dezembro 2002

Associação para essa modalidade de investimento tem cerca de US$ 4 bi para aplicar Evanildo da Silveira escreve para 'O Estado de SP': Os empreendedores que pretendem criar uma empresa de base tecnológica começam a ter uma nova alternativa de financiamento, além dos tradicionais empréstimos bancários. De cerca de 3 anos para cá, começaram a surgir fundos de capital de risco, dispostos a apostar em empresas emergentes ou em idéias com potencial para se transformar num empreendimento lucrativo, principalmente nas áreas de informática, tecnologia da informação, telecomunicações e biotecnologia. Um indicador dessa tendência é a criação, em junho de 2000, da Associação Brasileira de Capital de Risco (ABCR), que reúne 62 associados, dos quais 14 são fundos de venture capital (capital de risco). Segundo dados da própria ABCR, esses investidores representam recursos 'conservadoramente estimados' em mais de US$ 4 bilhões. Para comparar, o orçamento do Ministério da C&T deste ano foi de R$ 2,8 bilhões, dos quais apenas R$ 1,3 bilhão foi efetivamente gasto até hoje. Roberto Hesketh, presidente da ABCR, explica que o capital de risco procura empresas com perspectivas de altas taxas de retorno, com viés tecnológico e investimentos intensivos em pesquisa e desenvolvimento de técnicas e produtos inovadores. 'São empresas que demandam capital inicial significativo e que demoram cerca de dois a três anos para começar a dar retorno', diz Hesketh. 'São diferentes de uma butique, por exemplo, que começa a faturar quando abre a porta.' Os investidores de capital de risco fornecem, além do dinheiro, experiência, contatos e assessoria, quando necessário. O objetivo é ajudar a empresa investida a crescer e competir. Depois de um tempo, cerca de cinco a seis anos, eles vendem a parte deles e recuperam o capital, com lucros. A maioria não assume atividades executivas no dia-a-dia da empresa. Exemplo é a Votorantim Ventures, o braço de venture capital do Grupo Votorantim. Criado em maio de 2000, com capital de US$ 300 milhões, o fundo já investiu US$ 50 milhões em oito empresas, nos ramos de informática, telecomunicações, bioinformática e biotecnologia. Uma delas é a Alellyx, fundada em Campinas, em março deste ano, por pesquisadores egressos dos projetos de seqüenciamento de genoma, financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa de SP (Fapesp). Segundo o diretor executivo da Votorantim Ventures, Fernando Reinach, o objetivo é procurar novos negócios, de crescimento rápido e relacionado à tecnologia. O investimento é de longo prazo. 'Nosso foco está na tecnologia, em empresas inovadoras, que a gente aposta que vai dar certo', explica. 'É o caso da Alellyx, empresa de biotecnologia que trabalha no seqüenciamento de plantas de interesse agrícola, que têm muito potencial no Brasil.' A Eccelera, holding de investimentos em tecnologia do venezuelano Cisneros Group of Companies, tem atuação um pouco diferente. 'Além do capital, a empresa também dá apoio gerencial, de pesquisa, marketing e finanças aos empreendedores', explica o diretor de operações, Mordejai Goldenberg. 'A Eccelera tem a preocupação de acompanhar todo o desenvolvimento do negócio, oferecendo suporte operacional e estratégico para que a nova empresa obtenha os resultados esperados.' O fundo chegou ao Brasil em maio de 2000, com US$ 40 milhões. Até agora investiu US$ 15 milhões em 10 empresas. Para repassar o dinheiro, a Eccelera segue algumas regras. Nunca investe mais de US$ 2 milhões num mesmo empreendedor e dá preferência àqueles que desenvolvem produtos com potencial para serem exportados. 'Mas não descartamos projetos voltados para o mercado brasileiro', diz Goldenberg. 'O importante é que a idéia atenda às necessidades regionais do nosso mercado.' Para o ex-presidente da Fapesp e atual reitor da Unicamp, Carlos Henrique de Brito Cruz, o crescimento do venture capital no país é uma novidade muito positiva. Segundo ele, sempre houve dificuldades no Brasil para o desenvolvimento de empresas baseadas em tecnologia. 'Até há programas que fazem o financiamento inicial, mas faltava essa segunda fase', explica. 'Na qual um investidor se associa a uma pequena empresa para desenvolvê-la. Isso é comum em outros países. O Vale do Silício nos EUA começou assim.' (O Estado de SP, 1/12) JC e-mail