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Capital de risco caça pequenas geniais

Publicado em 27 fevereiro 2007

Tanto o capital de risco quanto os investimentos oferecidos por entidades públicas constituem-se em importante fonte de recursos e de esperança para empresas incubadas

Um dos fatores que diferenciam uma pequena empresa inovadora de uma pura vendedora de commodity é quem está por trás dela, seja o chamado investidor-anjo (pessoa física que se arrisca a colocar dinheiro em projetos incipientes e de bom potencial de retorno) ou um investidor em fundos de venture capital (empresas privadas, estatais e fundos de pensão).
Embora a presença desses investidores ainda seja pequena no Brasil em comparação aos EUA, o capital de risco para pequenas inovadoras tem aumentado no país. O processo de incentivo aos pequenos inovadores ganha força inicial pelas mãos das incubadoras - local onde o empreendedor pode desenvolver sua idéia com o subsídio de vários agentes -, cada vez mais observadas e apoiadas pelos governos federal e estadual e pelas universidades públicas.
A sanção da própria Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, que cria o Supersimples, tende a dar um grande impulso às micro e pequenas empresas inovadoras. A partir dela, 20% dos fundos destinados pelo governo à área de tecnologia deverão ser aplicados para que os negócios de pequeno porte se aprimorem.
É das incubadoras que normalmente saem as empresas com potencial para receber o chamado capital de risco ou capital empreendedor, com aportes feitos pelos anjos capitalistas e pelos fundos especializados. Eles são muito populares nos EUA, já que nasceram para turbinar a economia americana após a 2ª Guerra Mundial. No Brasil, eles só começaram a aparecer há duas décadas. Mesmo assim, sem muita força. "O mercado ainda é pequeno, embora tenha crescido bastante nos últimos três anos", afirma Fábio Lacerda Campos, gerente da assessoria de acesso a serviços financeiros do Sebrae-SP. A ascensão só não é maior porque o investidor ainda não vê o risco como um benefício. Além de ganhar dinheiro com o sucesso do negócio, Campos diz que o investidor deve agir com a consciência de que estará ajudando o país.
De acordo com o livro "A Indústria de Private Equity e Venture Capital - Primeiro Censo Brasileiro" (Saraiva), com levantamento coordenado por Antônio Gledson de Carvalho, Leonardo de Lima Ribeiro e Cláudio Vilar Furtado, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, em dezembro de 2004, havia 71 empresas gestoras de fundos de private equity e venture capital no Brasil. Na época, elas respondiam por US$ 5,58 bilhões em recursos aplicados em 97 fundos. Em 1999, o capital comprometido era de US$ 3,71 bilhões.
De 1999 a 2004, o setor totalizou investimentos anuais da ordem de US$ 440 milhões, encerrando o período com um portfólio de 306 empresas apoiadas. Dessas, 36 receberam o primeiro aporte em forma de capital semente (seed capital), enquanto 74 empresas já se encontravam na fase de desenvolvimento e consolidação do negócio. Graças aos anjos e aos fundos especializados, grandes players do mercado de tecnologia e de internet nasceram, como é o caso da HP e do Google.
Tanto o capital de risco quanto os investimentos oferecidos por entidades públicas constituem-se em importante fonte de recursos e de esperança para empresas incubadas. No Brasil, nomes como Griaule, especializada em softwares de reconhecimento de impressões digitais, fazem sucesso dentro e fora do país graças ao apoio do capital empreendedor.
Para Patrícia Freitas, chefe do departamento de investimento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a economia brasileira está sendo dinamizada pelos investimentos dos anjos e dos capitalistas de risco. "O Brasil está atraindo investidores internacionais de venture capital que querem se informar em profundidade sobre o país", diz Patrícia. As empresas mais observadas por eles são as de TI, biotecnologia e telecomunicações. Como parte do Ministério da Ciência e Tecnologia, a Finep apóia as empresas brasileiras inovadoras. Só em 2006, ela disponibilizou R$ 1 bilhão para pequenas e médias empresas. Isso inclui financiamento, investimento (feitos por fundos) e não reembolsável (aporte de recursos para projetos inovadores). Hoje, a Finep tem 10 fundos em operação que incentivam empresas inovadoras. Eles contabilizam, no total, R$ 330 milhões e já investiram R$ 100 milhões. Desse total, 47% foram oferecidos para empresas com faturamento entre zero e R$ 2,5 milhões no ano.
Na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), empresas inovadoras com até 100 funcionários encontram uma oportunidade no PIPE (Programa Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas). Desde 1997, ano de sua criação, ela já apoiou 600 empresas de São Paulo com recursos de até R$ 500 mil para desenvolver processos, produtos ou serviços inovadores por meio de pesquisa científica e tecnológica.
No ano passado, a fundação contratou três projetos por semana e totalizou investimentos na ordem de R$ 30 milhões. Carlos Vogt, diretor-científico da Fapesp, diz que as empresas mais apoiadas geralmente atuam com tecnologia e biotecnologia. A ajuda é feita sempre via recurso não reembolsável, com projetos divididos em duas fases. Na primeira pode-se obter até R$ 100 mil e na segunda, até R$ 400 mil. Quem ganha o recurso é o pesquisador vinculado à empresa. A empresa, por sua vez, precisa se comprometer a apoiar o projeto. Um em cada quatro projetos analisados pela Fapesp é aprovado.
"Nossa missão é apoiar a pesquisa e não a operação. Nossa meta é funcionar como um motor de saída", explica Vogt. Apesar deste incentivo da Fapesp, Vogt diz que as 600 empresas apoiadas encontram dificuldades para receber investimento de venture capitalists.
Geralmente, os negócios altamente inovadores em termos de produtos, processos ou serviços percorrem o longo e incansável caminho da pesquisa & desenvolvimento, traçado pelo apoio de um investidor único ou por um grupo de investidores em busca de idéias geniais. Depois de se chegar a um produto real e comercial e de estabelecer um plano de negócios bem definido, Campos lembra que essas empresas costumam deslanchar após uma segunda injeção de capital, feita na fase de operacionalização do produto testado.
"O dono da pequena inovadora pode ser o professor Pardal, mas ele não tem capital e nem conhecimento suficiente para gerir um negócio em decolagem", afirma Campos. E este tipo de negócio precisa ter recursos financeiros que, se não vierem do chamado "paitrocínio" (apoio de algum familiar), podem chegar via recursos não reembolsáveis fornecidos pela Finesp, Fapesp, CNPQ ou pelos anjos. Os investidores-anjos podem ser caracterizados por grandes empresários que já venderam seus negócios e ficaram ricos.
Nos EUA, os anjos são a principal fonte de financiamento de empresas emergentes. Investem em média de 20% a 25% do seu patrimônio, em troca de participação média de 20% a 30% na empresa. Segundo Ernesto Web, presidente do conselho da Gávea Angels (grupo de investidores formado a partir de iniciativa do Instituto Gênesis (PUC-RJ), os investidores procuram ficar o tempo necessário para consolidar a empresa e permitir a venda para novos investidores para uma fase de crescimento.

Fonte: Valor Econômico / Françoise Terzian
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