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Correio Popular online

Candidatos à reitoria propõem Unicamp mais atuante na RMC

Publicado em 16 março 2005

Por Maria Teresa Costa

Os três candidatos que disputam a reitoria da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) na eleição realizada hoje e amanhã nas unidades de ensino e pesquisa, defendem maior aproximação da universidade com a Região Metropolitana de Campinas (RMC), quer por meio da ampliação dos cursos de extensão, quer nos serviços prestados em saúde e na formação de professores.
Os engenheiros José Tadeu Jorge, Celso Arruda e Edson Moschim se submetem hoje e amanhã à consulta da comunidade universitária, no primeiro turno do processo que vai escolher o sucessor de Carlos Henrique de Brito Cruz. Brito está renunciando ao seu mandato na Unicamp um ano antes do término para assumir a diretoria científica da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp).
Tadeu Jorge, atual vice-reitor, é docente na Faculdade de Engenharia Agrícola. Celso Arruda é da Faculdade de Engenharia Mecânica e Edson Moschim é da Faculdade de Engenharia Elétrica.
Se nenhum dos candidatos obtiver mais da metade dos votos, haverá segundo turno dias 30 e 31 de março, quando então será elaborada a lista tríplice para ser encaminhada ao governador Geraldo Alckimin para a escolha do novo reitor.
Os candidatos que disputam a reitoria da Unicamp falam, na entrevista abaixo, sobre suas principais propostas para melhorar a graduação, a pós-graduação, o acesso de estudantes pobres e a relação que pretendem manter com a RMC.

Como a Unicamp irá se relacionar com a RMC na sua gestão?
Celso Arruda - O relacionamento da Unicamp com a RMC deverá continuar sendo o resultado da livre manifestação das diferentes unidades de estudos e de todas as instâncias da nossa comunidade. Sendo estas atividades intrinsecamente ligadas ao ensino, pesquisa e principalmente à extensão, esta poderá continuar sendo estimulada nos encontros específicos com as Prefeituras da região onde o exercício da criatividade, não define limites de colaboração
Edson Moschim - Caso eleito reitor, os programas de extensão serão ampliados e colocados à disposição da comunidade externa à Unicamp. Iremos propor para a Região Metropolitana de Campinas ações em todos os níveis sociais para avaliar e analisar o impacto do desenvolvimento tecnológico na sociedade da região. Vamos, juntamente com todos os segmentos interessados da região de Campinas, procurar descobrir uma maneira mais eficiente para termos uma qualidade de vida saudável, uma sociedade justa e feliz
José Tadeu Jorge - O relacionamento com a RMC vem se adensando nos últimos anos e tende a se estreitar no próximo quadriênio, seja pelo papel que a Unicamp cumpre na organização do sistema de saúde, seja pelo engajamento da universidade nos programas de formação contínua de professores. A Unicamp tem um alto interesse nessa aproximação e bons motivos não faltarão para que ela se desenvolva.

Pretende implantar alguma política para aumentar o acesso do aluno carente à universidade, além da ação afirmativa já existente na Unicamp?
Celso Arruda - Sou favorável, como já apresentado em 1994, à implantação de cursos preparatórios de vestibulares, gratuitos para as populações de baixa renda. E, sob o princípio da avaliação pela capacidade de racionar abstratamente, disputar tantas vagas quanto possam na Unicamp, sem o limite arbitrário fixado numa cota que, geralmente, não coincide com o percentual da população a ser beneficiada, e sem abolir a base de conhecimento exigível para este ingresso.
Edson Moschim - O mérito acadêmico tem forte impacto na comunidade educacional. Respeito e sempre respeitarei essa premissa. A adoção, por parte da Unicamp, de uma fórmula de inclusão social, sem desrespeitar o princípio da isonomia, foi um desejo do Consu (Conselho Universitário). Sou mais inclinado a pensar no princípio da igualdade, que é mais humano que o princípio da isonomia, que, na minha opinião, é estritamente técnico. Caso eleito, na minha gestão procurarei referendar o processo de inclusão social, convidando toda a Unicamp — professores, funcionários e estudantes — a opinar sobre o que é melhor para nós.
José Tadeu Jorge - Em 2004, a Unicamp criou um programa inédito que, aliando inclusão social e mérito acadêmico, ampliou consideravelmente, já em seu primeiro ano, o número de alunos procedentes de escolas públicas em nossos cursos de graduação sem se confundir com o sistema de cotas. Essa política de ação afirmativa terá sua continuidade assegurada.

O que acha necessário fazer para melhorar ainda mais a graduação?
Celso Arruda - Estimular a formação de cidadãos, de modo prioritário em relação a qualquer habilitação que venha a ser atribuída por curso específico. Colocar especial atenção às disciplinas introdutórias, bem como estimular a oferta de disciplinas, visando uma sólida e integrada formação multidisciplinar dos alunos. Assegurar os recursos necessários para que os cursos noturnos funcionem de forma similar aos cursos diurnos. Continuar investindo na melhoria das condições ambientais e de atendimento aos alunos: salas de aula, salas de estudo, laboratórios e bibliotecas. Isso, e muito mais, para evitar a evasão dos alunos, que supera a taxa dos 20%, dinheiro perdido e vagas desperdiçadas.
Edson Moschim - Para mim, o ensino de graduação é a atividade fim mais importante de uma universidade. Tudo deve ser feito em prol de sua qualidade. O ensino de graduação na Unicamp tem recebido uma atenção especial dos nossos gestores e assim deverá continuar. Novas técnicas pedagógicas e metodológicas são sempre bem-vindas para enriquecer e ajudar os professores. Sou daqueles que ainda acham que um quadro negro e um giz são ferramentas poderosas e insubstituíveis. Claro que não dispenso outros tipos de apresentação. O importante para mim não é somente intelectualizar. É mais do que isso: é preciso formar um profissional que saiba operar na natureza, resolvendo e propondo soluções para uma sociedade justa e feliz.
José Tadeu Jorge - Algumas medidas já estão previstas, como, por exemplo, melhorar a infra-estrutura de suporte dos cursos, dar continuidade ao projeto de expansão de vagas, discutir a criação de novos cursos, estudar novas formas de organização curricular e ampliar a participação dos centros e núcleos interdisciplinares nas atividades de ensino.

Qual a sua política para a pós-graduação?
Celso Arruda - Envidar esforços junto às agências financiadoras para ampliar o número de bolsas e o valor da remuneração aos estudantes de pós-graduação. Aumentar o apoio às áreas cujos cursos não têm obtido boa avaliação para que possam alcançar os níveis de excelência desejados.
Edson Moschim - A pós-graduação da Unicamp tem mostrado um grau de maturidade e competência em níveis nacional e internacional. Formamos hoje quase 50% de doutores e quase 20% de mestres do Brasil. Publicamos em todos os veículos de alta qualidade técnica, respeitados mundialmente. Isso é fruto de uma política acertada do velho "mandarim" Zeferino Vaz, fundador e ex-reitor da Unicamp, que, no início dos anos 70, trouxe para a Unicamp pesquisadores de grande reputação internacional. Minha política para a pós-graduação será a de dar continuidade a este processo e procurar buscar excelência (nota 7 da Capes) em todos os cursos.
José Tadeu Jorge - A Unicamp tem possivelmente a melhor pós-graduação do País. Essa qualidade tem de ser preservada e até melhorada. Para isso, é preciso lutar por mais bolsas junto aos órgãos de fomento, incrementar os programas de estágio docente dos pós-graduandos, definir melhor a vinculação institucional dos pós-doutores e discutir novas modalidades de curso, sobretudo de caráter interdisciplinar.