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Ciber Saúde

Câncer de pele

Publicado em 22 janeiro 2010

Um projeto pioneiro desenvolvido por pesquisadores da USP-São Carlos (a 230 km de São Paulo) pode expandir o tratamento de câncer de pele em todo o Brasil. Um kit de equipamentos pesando apenas 1,5 kg, acondicionado em uma mala, será distribuído em 100 localidades no país para o tratamento de oito mil pessoas ao longo de um ano. O projeto recebeu R$ 3,2 milhões do BNDES para produção do kit, compra de medicamentos e treinamento de pessoal.

Vanderlei Salvador Bagnato, professor titular do Instituto de Física da USP, explica que o equipamento do kit realiza o diagnóstico por meio de florescência óptica. O paciente recebe então uma pomada no local do câncer e outro equipamento emite luz para provocar a reação, que elimina as células do tumor. "O tratamento chama-se terapia fotodinâmica e vem recebendo enorme receptividade em todo mundo", explica o pesquisador. Ele lembra que a equipe não inventou a terapia fotodinâmica: "mas investimos muito para adequá-la à realidade do país".

O câncer de pele é o de maior incidência na população brasileira e com o aumento de expectativa de vida no país, deve se expandir ainda mais nos próximos anos. "Estamos tentando fazer ciência com responsabilidade social, desenvolvendo uma tecnologia que pode chegar a toda sociedade, e não apenas a quem pode pagar", esclarece Bagnato.

Os equipamentos serão distribuídos inicialmente em regiões com maior incidência da doença, inclusive nas áreas rurais. A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores de São Carlos já chamou a atenção de autoridades médicas de outros países, como Paquistão, Argentina e Venezuela.

O tratamento já foi testado em mais de 2.500 lesões de câncer de pele. "Essa tecnologia resolve 70% dos casos de pequenas lesões. Quer dizer, pode ser aplicado a cerca de 70 mil pacientes em todo o país, que não precisarão mais se deslocar para os grandes centros", destaca.

O projeto tem apoio do Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica e Instituto Nacional de Óptica e Fotônica, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e conta com o trabalho de 40 pesquisadores (alunos, profissionais e técnicos) e empresas do município.