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O Liberal (PA)

Câncer de mama está na pesquisa de genes

Publicado em 18 julho 2000

Por SÃO PAULO - Agência Estado
Uma pesquisa inédita desenvolvida na Universidade federal de São Paulo (Unifesp) dá uma mostra do que será o Genoma Clínico do Câncer, projeto que em breve será anunciado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pelo Instituto Ludwig de Pesquisa contra o Câncer. O novo projeto, um desdobramento do Genoma Humano do Câncer, pretende analisar os genes ligados à doença e decifrar seu funcionamento. A partir dessas informações será possível definir, a longo prazo, estratégias para combater as manifestações mais freqüentes da doença. Conduzido pelos pesquisadores Ismael Sirva, do Laboratório de Ginecologia Experimental, e Luiz Henrique Gebrim, chefe do Setor de Mastologia da Unifesp, o estudo analisou cerca de 500 genes associados ao câncer de mama. Os cientistas descobriram que um desses genes, batizado de CaMK-II e que exerce papel fundamental na multiplicação celular, é sensível a um medicamento conhecido como tamoxifeno, usado para combater tumores de mama. Desenvolvido há cerca de 20 anos, o tamoxifeno reduz em até 50% os riscos de aparecimento do câncer. Seu uso, porém, é feito com uma série de restrições. Apesar do efeito protetor contra o câncer de mama, a droga pode aumentar os riscos de câncer de endométrio, tromboses e distúrbios no cristalino. "A idéia é encontrarmos outros métodos de prevenção, que não tragam os efeitos colaterais do tamoxifeno", explica Silva. Procedimento - Na pesquisa, 30 mulheres com tumores benignos receberam, durante um mês, um tratamento com a droga. Um grupo com o mesmo número de pacientes recebeu placebos. Passados os 30 dias, todas as mulheres foram operadas para retirada do tumor. Ao analisar os tecidos, os pesquisadores verificaram que o gene CaMK-II estava com sua atividade reduzida no grupo de mulheres que usou tamoxifeno. A droga não influenciou a atividade de outros genes analisados. "Por essa razão, acreditamos que o CaMK-II possa exercer um papel importante na proteção contra o câncer de mama", diz Silva. "A inibição de sua atividade talvez impeça o crescimento desordenado das células, que caracteriza a doença."