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Cruzeiro do Sul

Câncer de mama e estresse

Publicado em 07 janeiro 2011

Mulheres diagnosticadas com câncer de mama podem ser acometidas por síndrome psiquiátrica aguda, chamada de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), comuns em pessoas submetidas a situações traumáticas.

Caracterizada por sintomas de evitação (como tentar evitar lembranças ligadas ao episódio), de hiperestimulação (irritabilidade, dificuldades de conciliar o sono e de concentração) e de revivescência (recordações aflitivas, recorrentes e intrusivas), o TEPT pode comprometer não só a qualidade de vida de pacientes com câncer de mama como a continuidade do tratamento.

É o que destaca uma pesquisa conduzida na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) que identificou o TEPT agudo em mulheres diagnosticadas com câncer de mama.

O estudo foi feito com 290 pacientes atendidas no Hospital Pérola Byington, na capital paulista, entre agosto de 2006 e março de 2007. Os sintomas do TEPT estavam presentes em 81% das mulheres diagnosticadas com câncer de mama.

A pesquisa investigou também fatores associados a não adesão (ou a não aceitação) aos tratamentos para o câncer de mama e apontou que pacientes que apresentaram sintomas do transtorno tiveram menor adesão.

Segundo o estudo, 13,3% dos pacientes com esse transtorno interromperam o tratamento após o primeiro ano de acompanhamento. De acordo com Julio Litvoc, professor do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP e coordenador da pesquisa, o TEPT não tem sido avaliado adequadamente pelos profissionais.

``Esse conceito é pouco utilizado pelos profissionais de saúde, por desconhecimento do transtorno e também por se valorizar as comorbidades associadas ao diagnóstico, como os transtornos de ansiedade, depressão e pânico``, explicou.

O estudo ``Associação entre as respostas ao estresse em mulheres com câncer de mama e a adesão ao tratamento do câncer de mama`` teve participação de Sara Mota Borges Bottino, coordenadora médica da Psiquiatria do Instituto do Câncer de São Paulo (ICESP), e recebeu apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa Regular.

A primeira parte do estudo investigou a prevalência e o impacto do TEPT e corresponde à tese de doutorado de Sara, orientada por Litvoc. Segundo ele, o estudo relaciona a epidemiologia à psiquiatria. ``A ideia foi produzir um trabalho voltado para a reorganização dos serviços de atendimento``, salientou.

``O problema do diagnóstico é que as pacientes podem não manifestar os sintomas de maneira explícita, mas, ainda assim, desencadeá-los de forma a interferir no tratamento e na qualidade de vida. E o pior: não retornar ao médico``, disse Sara.

Segundo a psiquiatra, apesar de ser considerado um transtorno de ansiedade, uma das particularidades do TEPT é a imprevisibilidade. ``A paciente não apresentava os sintomas relacionados à doença e, de repente, descobre-se doente após o diagnóstico``, apontou.

Assustadas, as pacientes evitam ter pensamentos sobre o câncer. Os sintomas de evitação se mostraram recorrentes em 58,2% dos casos. Segundo o estudo, os sintomas de evitação merecem maior atenção, porque podem ter consequências graves para as pacientes com câncer, que necessitam ir às consultas e fazer os exames pré-operatórios.

``Esse sintoma é entendido pela equipe médica como `negação`. Mas, como parte de uma síndrome de transtorno do estresse pós-traumático, o diagnóstico é relativamente novo``, indicou Sara. Já os sintomas de hiperestimulação e revivescência apareceram, respectivamente, em 63,1% e 59,6% das mulheres entrevistadas.

De acordo com Litvoc, a segunda parte do trabalho a da adesão terá continuidade. ``Essa segunda etapa trouxe resultados significativos que nos preocuparam. Daremos continuidade a ela aplicando outros métodos``, apontou. Agência FAPESP

Importância do implante de silicone, após o câncer de mama

Mulheres que recebem implantes de silicone, após a cirurgia de câncer de mama, são mais felizes com suas mamas reconstruídas do que as mulheres que recebem implantes salinos, revela um novo estudo americano. O trabalho foi realizado por Colleen McCarthy, um cirurgião plástico do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, de Nova York.

McCarthy e sua equipe ouviram 472 pacientes sobre a experiência delas em relação à cirurgia reconstrutiva, após o câncer de mama. Foram ouvidas 176 mulheres com implantes de silicone e 306 mulheres com implantes salinos. O resultado apontou que as mulheres que tinham recebido implantes de silicone estavam mais satisfeitas com a aparência dos seus seios.

Segundo as participantes do estudo, os implantes de silicone apresentavam um formato mais natural. Ambos os implantes podem gerar rugas, mas o implante de silicone tende a enrugar menos. O estudo observou que, ao longo do tempo, as mulheres que haviam recebido os implantes salinos queixavam-se mais de má cicatrização e de que a área ao redor do implante endurecia. As participantes do estudo que tiveram apenas uma mama removida e reconstruída por meio de implantes salinos apresentavam também problemas de assimetria mamária.

Todas as mulheres que recebem implantes de silicone são aconselhados a realizar ressonância magnética cerca de três anos após a cirurgia, para se certificarem de que o dispositivo não se rompeu ou vazou.

A polêmica do silicone

A conclusão do estudo, após anos de polêmica em torno de implantes de silicone nos Estados Unidos, fortalece uma medida adotada em 2006, pela FDA - The United States Food and Drug Administration de revogar a proibição (que perdurou 14 anos) de implantes de silicone, após a mastectomia. A proibição em terras americanas se baseava na opinião de grupos feministas e grupos de consumidores, que se preocupavam com o vazamento do silicone e com o aparecimento de outros problemas de saúde que poderiam ser desencadeados pelo implante.

``Consideramos o estudo americano muito importante porque finalmente, as americanas podem fazer uma escolha estética que se encaixa com seus valores e preferências. Isto é muito relevante para alguém que está se recuperando de um câncer de mama``, destaca o cirurgião plástico, Ruben Penteado, diretor do Centro de Medicina Integrada.

A colocação de implantes de silicone com finalidade estética não atrapalha a realização de exames como mamografia, ultra-sonografia e ressonância magnética. ``Porém, se os implantes forem muito grandes, pode haver alguma dificuldade na compressão dos seios, diminuindo a qualidade das imagens

obtidas e prejudicando o resultado do exame. Vale enfatizar que, na mamografia em mulheres com próteses, é necessário realizar a chamada `manobra de Eklund`, em que se traciona a mama, para expor ao Raio X apenas o tecido mamário. Se isso não for feito, a prótese poderá interferir no resultado do exame``, diz Penteado. (Fonte: www.medintegrada.com.br)