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Câncer de mama: cinco fatos que todos devemos saber

Publicado em 14 outubro 2019

A ingestão de verduras e frutas e praticar exercícios podem diminuir a incidência da doença

De acordo com o Inca (Instituto Nacional do Câncer), são diagnosticados no Brasil cerca de 60 mil novos casos de câncer de mama por ano e aproximadamente 12 mil mulheres morrem em decorrência dessa doença. Motivado pelas altas taxas de incidência, que não param de crescer desde a segunda metade do século XX, o mês de outubro foi escolhido para serem realizadas atividades educativas e de prevenção para o câncer de mama, o chamado Outubro Rosa.

De acordo com Alfredo Barros, mastologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, a redução do número de filhos, a primeira gestação tardia e os curtos períodos de amamentação tornaram a mulher exposta a um maior número de ciclos menstruais e, consequentemente, a intenso e repetido estímulo hormonal estrogênico. “Esse estímulo promove a multiplicação de células mamárias, geneticamente modificadas, na direção do câncer. Além disso, a ausência de gestação implica que o tecido mamário deixe de receber proteção de certos hormônios da placenta como a gonadotrofina coriônica, que tornam as células da mama refratárias à lesão do DNA cromossomal, evento inicial do determinismo do câncer”, conta o médico.

Confira a seguir cinco fatos importantes relacionados à doença ressaltados pelo especialista.

Tendências

Obesidade, sedentarismo, dieta gordurosa, ingestão alcoólica em excesso e reposição hormonal prolongada na menopausa são condições que elevam o risco da incidência de câncer. “Pode-se diminuir a chance de formação do câncer de mama evitando esses fatores e aumentando a ingestão de verduras e frutas. Os vegetais contêm substâncias flavonoides, que dificultam a ligação dos estrogênios com proteínas receptoras no tecido mamário. Também é muito provável que agrotóxicos, pesticidas, poluentes orgânicos de diversos tipos e anabolizantes nos alimentos contribuam para a lesão no DNA e a proliferação celular”, afirma o mastologista.

A mamografia pode salvar vidas

Para o diagnóstico na fase pré-clínica, a mamografia é fundamental. Ela permite o reconhecimento de tumores a partir de 1 milímetro, muitos anos antes de ele se tornar perceptível ao toque, por meio da identificação de sinais de suspeição, como microcalcificações ou pequenos nódulos. “Quanto mais precoce for o diagnóstico, maior será a chance de cura, menor a extensão da cirurgia e mais simples o tratamento complementar. Desde a primeira divisão celular anômala até um nódulo chegar a ser palpável com 1 centímetro, existe um intervalo aproximado de dez anos. Se o tumor for descoberto nesse período, as possibilidades de cura oscilam ao redor de 95%”, ressalta o médico. A mamografia é indicada anualmente a partir dos 40 anos de idade.

Quem tem caso de câncer na família, deve redobrar o cuidado

Nas pacientes de alto risco familiar, a rotina do exame de mamografia precisa ser iniciada mais cedo, também com ultrassonografia e a ressonância magnética. “Geralmente solicita-se a mamografia nas pacientes de alto risco depois da idade correspondente a dez anos antes quando foi diagnóstico o câncer na mãe ou nas irmãs, por exemplo”, conta o médico.

O autoexame é tão importante quanto a mamografia

O exame físico das mamas realizado pelo especialista permite o diagnóstico precoce de tumores a partir de 1 centímetro de diâmetro. “Já o autoexame das mamas, realizado pela própria paciente, todos os meses na semana após a menstruação, identifica nódulos geralmente maiores que 2 centímetros de diâmetro e deve ser ensinado e praticado especialmente para quem não tem acesso à mamografia. Tem a virtude de estimular a atenção com o próprio corpo e o autocuidado”, afirma Alfredo.

Não tenha medo

O receio das doenças, quando enfrentado com racionalidade, pode levar a uma atitude pragmática sadia e à adoção de medidas preventivas úteis. Ainda existe muita falta de informação. “Quando a mamografia é repetida anualmente o medo do câncer vai diminuindo porque a mulher sabe que depois de um exame normal qualquer anormalidade que surgir no próximo ano deverá ser muito inicial e, portanto, curável”, conta o mastologista.

Ginecologista alerta sobre câncer por mutações somáticas

Para comemorar o Dia Mundial de Câncer, o Inca (Instituto Nacional de Câncer) lançou a publicação Estimativa 2018 – Incidência de Câncer no Brasil. Com exceção do câncer de pele não melanoma, os tipos de câncer mais frequentes serão os cânceres de próstata (68.220 casos novos) em homens e mama (59.700) em mulheres. Completam a lista dos dez tipos de câncer mais incidentes: cólon e reto (intestino – 36.360), pulmão (31.270), estômago (21.290), colo do útero (16.370), cavidade oral (14.700), sistema nervoso central (11.320), leucemias (10.800) e esôfago (10.970).

Embora os homens também possam ser acometidos, as mulheres são as principais vítimas do câncer de mama. “Existem diversos fatores de risco que podem ajudar a diagnosticar a doença: o histórico familiar, quando a mulher corre um sério risco em desenvolver a doença se dois ou mais parentes de primeiro grau teve ou tem câncer de mama; idade, já que mulheres entre 40 e 69 anos são mais propensas; menstruação precoce; obesidade; colesterol alto; ausência de gravidez; reposição hormonal; entre outros”, explica a ginecologista e obstetra Erica Mantelli.

O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum em mulheres e ocorre principalmente naquelas que têm mais de 50 anos e já se encontram na menopausa. Porém, cerca de 80% dos casos de câncer de mama em mulheres jovens, com idades entre 20 e 35 anos, podem ser causados por mutações somáticas: alterações genéticas nas células da mama que não têm origem hereditária. Foi o que constatou um estudo feito no Centro de Investigação Translacional em Oncologia (LIM 24) do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) com apoio da Fapesp.

“A maioria dos tumores da mama, quando estão no início, não apresenta sintomas, e pode passar como despercebido. Mas, ao fazer o autoexame de mama, se a mulher sentir o nódulo ao toque é sinal de que ele tem cerca de 1 cm. Por isso é importante fazer os exames preventivos na idade adequada, com a finalidade de evitar o aparecimento de qualquer sintoma da doença”, orienta.

Por ter diagnóstico mais difícil e ser pouco esperado, 4,5% dos casos da doença acometem mulheres jovens, entre 20 e 35 anos de idade e normalmente o tratamento nesses casos é iniciado quando a doença já está em estágio mais avançado e apresenta maior taxa de mortalidade que em mulheres mais idosas.

O exame clínico da mama é indicado para mulheres com menos de 49 anos. Ele é realizado por um médico e pode detectar caroços de até 1 cm. Já a mamografia é uma radiografia da mama que detecta lesões em fase inicial. Ela é realizada em um aparelho de raio-X apropriado, que comprime a mama de modo a fornecer melhores imagens. “Apesar do desconforto provocado, esse exame causa uma redução de até 30% na mortalidade de mulheres acima de 50 anos. Ele deve ser feito por mulheres a partir dos 40 anos a cada ano ou de acordo com as prescrições do médico”, afirma a ginecologista.

Nos resultados do estudo, publicado na revista Oncotarget, são destacados os dois fatores mais importantes para o câncer de mama: o hereditário, quando a pessoa herda uma mutação genética dos pais, que predispõe ao câncer; e as mutações somáticas, que ocorrem na célula da mama ao longo do tempo.

Se o câncer de mama for diagnosticado precocemente, as chances de cura chegam a 95%. É importante que toda mulher entre 50 a 69 anos faça mamografia a cada dois anos. Além disso, adotar um estilo de vida saudável, cuidar da alimentação e fazer atividade física também é uma medida de prevenção à doença.

fonte: http://ericamantelli.com.br

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