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Eco Informe

Canavial forrado com palha da cana polui menos

Publicado em 20 julho 2011

Uma pesquisa realizada em Jaboticabal - SP, mostra que as sobras das colheitas da cana-de-açúcar, espalhadas na lavoura, evitam emissão de gás carbônico. O solo coberto de palha de cana-de-açúcar libera 20% menos gás carbônico na atmosfera, concluíram cientistas da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, campus Jaboticabal. A explicação é que sem a proteção natural o estoque de carbono da terra se dissipa com mais facilidade. No estudo, a diferença na emissão de dióxido de carbono (CO2) entre o terreno coberto pelos detritos e aquele desprotegido foi de 400 quilos de carbono, ou 1,5 mil quilos de gás carbônico. A equipe foi liderada pelo físico Newton La Scala Júnior.

Uma pesquisa anterior realizada pelo mesmo grupo calculou toda a emissão de gás carbônico de um sistema de cultivo sucroalcooleiro - são 3 mil quilos de CO2 por hectare. Foi lrvado em conta o uso de óleo diesel nos tratores, fertilizantes sintéticos e outros insumos. Com a retirada da palha, haveria esse acréscimo de 1,5 mil quilos, fazendo do solo o maior emissor isolado do sistema.

Para os pesquisadores, isso é um alerta para a indústria canavieira, que já desenvolve projetos para o uso da palha da cana na produção de plásticos e energia elétrica a partir da queima da biomassa e uma modalidade de álcool, o etanol de segunda geração.

"Não só do ponto de vista ambiental é mais vantajoso deixar a palha sobre o solo. Ao liberar gás carbônico, o solo fica mais pobre em nutrientes", explicou o pesquisador. "Isso significa que a manutenção da palha após a colheita fará o produtor economizar no uso de fertilizantes."

Realizada de 2008 a 2010, a pesquisa é intitulada Impactos das práticas de manejo nas emissões de CO2 do solo em áreas de produção de cana-de-açúcar no Sudeste do Brasil. O projeto teve financiamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Sabidamente, as áreas com cana crua, onde a colheita foi mecanizada, ou seja, não utilizou a queima, são menos poluidoras do ar", disse La Scala. "Mas nossa pesquisa mostra que, mesmo no sistema menos contaminante, a simples retirada da cobertura do solo já causa emissões de CO2 significativas." O pesquisador ressaltou ainda que esse nível de poluição é o mesmo provocado quando a terra é preparada para um novo plantio. Na cultura da cana-de-açúcar, entretanto, esse trabalho só é realizado a cada cinco anos. "Para a atmosfera, é como se tivéssemos um preparo de solo anual."