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Cerpch - Centro Nacional de Referência em Pequenas Centrais Hidrelétricas

Canaviais do país têm potencial de geração de energia de duas Itaipus

Publicado em 26 agosto 2016

Quase duas Itaipus estão adormecidas nos canaviais do Brasil. Embora conhecido, esse potencial de geração de energia só não avança porque faltam incentivos e sobram problemas estruturais.

Hoje, a biomassa supre 39% da demanda por energia na indústria e 17,5% do consumo de biocombustíveis nos transportes a partir da cana (15,7%), da lenha e do carvão vegetal (8,1%), entre outros.

Por falta de investimento, a energia não escoada está represada em metade das 355 usinas termelétricas do país movidas com a queima de bagaço da planta, afirma Zilmar de Souza, gerente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

“O problema está na conexão das usinas com a rede. Há casos em que a fiação precisa ser levada a até 70 km de distância e quem assume esse custo é o empresário.”

Mesmo assim, o setor gerou 20,2 TWh de energia em 2015, o suficiente para abastecer 10 milhões de casas por um ano, segundo dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

A usina Ferrari, em Porto Ferreira (a 228 km de SP), investiu R$ 250 milhões em 2009 para produzir energia com bagaço e palha da cana. O retorno do investimento anda lento, diz o gerente Hênio Respondovesk. “Temos intenção de dobrar nossa produção, mas ainda não é o momento.” A usina tem capacidade instalada de 80 MWh.

FÔLEGO

Usar o bagaço da cana para produzir energia é estratégico para o país, segundo especialistas. A atividade sucroalcooleira é um dos cobertores das hidrelétricas, quando estas estão com seus reservatórios em estado crítico.

“A energia de biomassa deve servir de fôlego aos entraves ambientais e jurídicos que as hidrelétricas passam”, afirma José Goldemberg, presidente da Fapesp (agência de fomento à pesquisa de SP).

Segundo o Greenpeace, o consumo da fonte passará dos atuais 27% para 49% na metade do século.

Elizabeth Farina, presidente da Unica, acha esse crescimento pouco provável. Ainda mais, diz, em um cenário de recuperação de uma crise iniciada em 2009 e que ainda não terminou. “Cerca de 80 usinas fecharam. Os preços dos leilões de energia flutuam muito e só tornam o futuro ainda mais imprevisível.”

Fonte: Folha de São Paulo