Notícia

Jornal de Piracicaba

Cana transgênica: no mercado em 5 anos

Publicado em 18 outubro 2009

A cana‑de‑açúcar transgênica deve chegar ao mercado brasileiro nos próximos cinco anos com a ajuda da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz). Isso porque, a universidade faz parte das diversas instituições que estão desenvolvendo pesquisas sobre o assunto no país. Com as alterações genéticas, a cana‑de‑açúcar será mais resistente a seca ou ao excesso de água, além de ser mais produtiva, pois terá uma quantidade maior de sacarose do que as tradicionais.

Nas pesquisas para a obtenção da cana transgénica, a Esalq colabora com a sua tecnologia de produção, experiência em manejo agrícola, conhecimentos em previsão de safra e controle biológico, além de mapear os genes e identificar como as espécies se comportam. "A Esalq não produz variedades, mas colabora com toda a sua experiência adquirida no plantio de cana", disse Edgar Gomes Ferreira de Beauclair, professor do Departamento de Produção Vegetal e consultor técnico do Guia da cana‑de‑açúcar: Avanço científico beneficia o país, produzido pelo CIB (Conselho de Informações sobre Biotecnologia).

De acordo com o professor, com variedades de cana mais resistentes e produtivas, o Brasil, que já é pioneiro na produção, sairá a frente. "Na produção de cana‑de‑açúcar o país é o melhor do mundo. Desconheço outros países que possuem a nossa tecnologia." Segundo informações do CIB, o país é hoje o maior produtor mundial de cana, com 563 milhões de toneladas na safra 2008/2009 e o maior exportador mundial de açúcar, respondendo sozinho por 45% de todo o produto comercializado no mundo. Na fabricação de etanol, o Brasil também é líder nas exportações e compartilha, com os Estados Unidos, a posição de maior produtor mundial. Os dois países juntos são responsáveis por 70% de toda a fabricação desse combustível no mundo.

Para Alda Lerayer, diretora‑executiva do CIB, a cana transgênìca deve trazer diversos benefícios para o país, não só econômicos, como também ambientais. "A cana deverá ter uma concentração maior de sacarose, com isso, será possível ter uma produção maior, sem ter de aumentar a área de plantação", garante. Segundo a CIB, as pesquisas para obtenção da cana transgênica já são desenvolvidas há máis de dez anos, com os primeiros mapas genéticos e a obtenção das primeiras plantas modificadas geneticamente, em diversas instituições do mundo, incluindo, o CTC (Centro de Tecnologia da Copersucar). Alda diz que no fim dos anos 90, a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) financiou um projeto, no qual foram identificados 50 mil genes da planta. "A iniciativa possibilitou a identificação dos genes envolvidos no processo de crescimento, no teor de açúcar e na resistência a diversos tipos de estresses, entre outras características importantes para aumentar a produtividade comercial da cultura", disse.

O professor da Esalq diz que há uma variedade de cana transgênica pronta. Porém, para que seja plantada e comercializada, é necessário o licenciamento por parte da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança). "As pesquisas são feitas em estufas, a cana é plantada em vasos separados e sem o contato com o meio ambiente. Se dependesse apenas das pesquisas, o processo de comercialização seria mais rápido", conta Beauclair. Além da permissão legal, há outro ponto que a nova cana terá de enfrentar, que é a resistência da sociedade aos produtos transgênicos. "A transgenia éuma tecnologia que serve para introduzir características, proporcionando o melhoramento genético. Falta informação à sociedade, que ainda tem muito receio por causa da mistura dos genes. No entanto, há muito tempo já se faz mistura de espécies no próprio meio ambiente", conclui Beauclair.