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Cana resistente ao ataque de insetos tem pesquisa avançada

Publicado em 13 setembro 2006

Por Fonte: Monsanto em Campo

Márcio de Castro Silva Filho, membro da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e coordenador dos estudos com cana no Laboratório de Biologia Molecular de Plantas, do Departamento de Genética da Esalq/USP, falou ao Monsanto em Campo sobre a pesquisa com variedades resistentes a pragas conduzida na universidade, com subsídio da Fundação de Amparo à Pequisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

As pesquisas com variedades transgênicas de cana-de-açúcar são direcionadas para que fins?

Nosso modelo de estudo é a cana-de-açúcar e suas principais pragas. Para se ter uma idéia do tamanho do problema, estima-se que cerca de US$ 500 milhões são perdidos anualmente em função das pragas da cultura.

Em 1998, quando demos início às pesquisas, procuramos identificar quais genes eram ativados pela presença da broca-da-cana (Diatraea saccharalis), considerada a principal praga da cultura. Depois de identificados e caracterizados, constatamos que um gene em particular, batizado pelo grupo de sugarina, era ativado pela presença da lagarta.

Todo gene precisa de um promotor para controlar a sua expressão. Um gene sem promotor é um carro sem rodas: não tem nenhuma utilidade. Com a obtenção do promotor da sugarina, conseguimos uma importante ferramenta biotecnológica, que nos permite produzir plantas transgênicas que irão expressar o gene e cujo produto será tóxico ao inseto-alvo apenas quando a planta for por ele atacada.

Mesmo com um promotor da própria planta, ela pode ser considerada transgênica?

Apesar de o promotor ser originário da cana, existem seqüências adicionais para permitir que ele seja integrado em seu genoma e que a diferenciam daquela que não foi transformada. Estas seqüências, por não serem originárias da própria cana, a classificam como transgênica.

Como as variedades introduzidas pela biotecnologia ajudariam a minimizar os custos com pragas e tratamentos e trazer benefícios aos agricultores?

Primeiramente, o cultivo de plantas transgênicas resistentes a insetos tem se mostrado uma ferramenta importante na redução dos gastos com inseticidas, além da diminuição do número de aplicações, com impactos positivos no ambiente. E, com o promotor da sugarina controlando genes cujos produtos têm propriedades inseticidas, as plantas produziriam apenas as toxinas quando expostas às pragas. Se a planta não for atacada, ela se comporta como uma planta não-transformada. Ou seja, não há produção de proteínas sem necessidade e o manejo da resistência é favorecido.

Quais são as outras pesquisas desenvolvidas com a cana transgênica?

Nós já desenvolvemos uma cana transgênica, com a inserção de um gene da soja, mais tolerante ao ataque da broca, utilizando um outro promotor que está patenteado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Neste caso, não pretendemos - pelo menos neste momento - dar continuidade ao trabalho visando plantio em escala comercial.

Por outro lado, acredito que empresas que trabalham com o desenvolvimento de plantas transgênicas resistentes a insetos se interessem por este promotor. Haveria necessidade de um acordo com os detentores deste pedido de patente, no caso a USP e a Fapesp, já que sou considerado um inventor, não o proprietário da mesma.

Há parcerias com empresas de biotecnologia? Que tipo de parceria?

Temos um trabalho em colaboração com o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira), pois o material genético que utilizamos foi desenvolvido pela empresa. O CTC teve um papel importante no Projeto Transcriptoma da Cana-de-Açúcar, financiado pela Fapesp.

Quando a cana transgênica estará disponível aos produtores?

Esta pergunta é de difícil resposta em função do complexo marco regulatório do País no que diz respeito ao plantio em escala comercial de plantas transgênicas. O que desenvolvemos foi uma ferramenta biotecnológica importante, que poderá ser utilizada por empresas/pesquisadores que trabalham com resistência de plantas a insetos utilizando a transgenia vegetal. Encaminhamos um pedido de patente ao INPI no ano passado para assegurar a propriedade intelectual deste produto.

Em que posição o Brasil se coloca em relação a estas tecnologias?

Na biotecnologia vegetal, o Brasil é destaque entre os países em desenvolvimento. Houve um forte investimento em pesquisas biotecnológicas no País nos últimos anos e o vetor desse processo foi a criação dos projetos Genoma, lançados pela Fapesp. Se, por um lado, houve um investimento significativo em infra-estrutura e formação de recursos humanos, o marco regulatório avançou pouco.