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Cana: mecanização pode levar setor em SP a contribuir com mais de 50% da redução das emissões

Publicado em 16 setembro 2013

A crescente mecanização da colheita da cana no Estado de São Paulo, prevista no Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético, está levando à queda crescente das emissões de gases de efeito estufa (GEE), de acordo com estudo realizado por pesquisadores Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Jaboticabal.

Caso o ritmo de mudança do corte manual para o mecanizado, observado nos últimos seis anos, seja mantido, o setor poderá contribuir com mais da metade da meta de redução das emissões de GEE do Estado.

O trabalho feito pelos pesquisadores da Unesp integra projeto temático que conta com o apoio do Programa Fapesp de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).

"As emissões de GEE por unidade de área plantada de cana-de-açúcar no Estado de São Paulo estão caindo por causa da conversão de áreas de cana-de-açúcar queimada por cana crua", diz o professor da Unesp e coordenador do projeto Newton la Scala Júnior.

De acordo com informações da Agência Fapesp, dos 4.658.316 hectares de cana colhidos na safra de 2012, 1.277.003 hectares (27,4%) foram por queima e 3.381.313 (72,60%) mecanicamente - enquanto que, em 2006, quando o Protocolo Agroambiental foi implementado, 65,76% da cana foi colhida por queima e 34,24% por colheita mecanizada.

Ao estimar as emissões de GEE nas áreas de cana-de-açúcar na fase agrícola no Estado de São Paulo nesse período de 2006 a 2012, os pesquisadores constataram que as emissões por unidade de área plantada caíram, a despeito do aumento do número de hectares de cana colhidos e da colheita mecanizada também emitir GEE devido ao uso de fertilizantes sintéticos e da queima de diesel das colheitadeiras.

Enquanto em 2006 foram emitidos entre 2,3 mil a 2,4 mil quilos por hectare de CO2 equivalente (multiplicação das emissões de GEE pelo seu potencial de aquecimento global), em 2012 esse número caiu para faixa de 2,1 mil quilos por hectare.

"Essa redução por unidade de área tem ocorrido justamente por causa da conversão das áreas de cana queimada para cana crua, eliminando a queima de resíduos. A tendência é que a emissão de GEE por áreas de cana-de-açúcar caia cada vez mais", diz Scala.