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Jornal de Piracicaba online

Cana: agroenergia, meio ambiente e emprego

Publicado em 21 setembro 2007

Por João Sampaio

Dizem que a decolagem é o ponto crítico de qualquer vôo. Pois é, neste momento de decolagem da agroenergia, incluindo aí a produção de combustíveis alternativos e renováveis, o cuidado deve ser grande. O mundo está de olho em quanto produzimos, onde e, principalmente, como. Nesse ponto, a integração agroenergia, meio ambiente e produção agrícola é fundamental para estabelecer as bases da nova matriz energética e para a conquista de mercados. O Estado de São Paulo, como maior produtor de etanol, responsável por 61% da cana moída e 61,5% do álcool do país na safra 2006/2007, precisa mostrar ao mundo que tem responsabilidade em suas ações.

O que isso significa? A pauta da agenda é meio ambiente. Por isso devemos nos antecipar às solicitações e imposições dos mercados externos. O Estado de São Paulo sai na frente ao implantar o Protocolo Agroambiental, que prevê, entre inúmeras ações, a antecipação dos prazos para o fim das queimadas. Mais importante: ele é por adesão, o que pressupõe a conscientização da necessária mudança.

Mas como sair da utilização das queimadas para a mecanização completa da colheita, sem efeitos colaterais? Eles, por certo, existirão. Para pensar esse problema, o governo do Estado de São Paulo criou a Comissão Especial de Bioenergia, formada por várias secretarias de Estado, Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e outros órgãos. Uma das prioridades da Secretaria de Agricultura é apresentar até novembro, data de conclusão do plano da comissão, ações para a produção agrícola nas regiões, alternativas para a compra de máquinas colhedoras aos pequenos, formação e qualificação da mão-de-obra no setor.

A região de Piracicaba, pólo produtor de cana e de tecnologia sucroalcooleira, está na nossa pauta. Todo o conhecimento científico aqui gerado deve ser integrado à produção canavieira. Sabemos das dificuldades para se enquadrar dentro da colheita mecanizada, sabemos que o produtor desta região é o pequeno fornecedor tão necessário às usinas e ao equilíbrio da cadeia produtiva. Consciente das características regionais, as ações também devem ser específicas. A apresentação de alternativas deve ser uma confluência de idéias entre os setores aqui da região sob o fomento do governo do Estado. A Secretaria de Agricultura é um dos canais.

O aproveitamento das áreas de rebarbas da cana, com alta declividade e sem possibilidade de mecanização na colheita, para o desenvolvimento de culturas como ovinocultura, confinamento de gado, seringueira, fruticultura e a avicultura, já tradicional em Piracicaba, devem ser alternativas. Cada região agrícola pode e deve se aproveitar da cana, sem esquecer suas outras vocações.

O mais importante para a região de Piracicaba é ser o grande pólo exportador de tecnologia na produção, na distribuição e na comercialização desses produtos. O diálogo entre os elos da cadeia produtiva e os órgãos decisórios do governo fará com que a região mais uma vez saia na frente e mostre todo o seu pioneirismo.


João Sampaio é produtor rural e secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo