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Campineiro é autor de samba-enredo da Dragões da Real

Publicado em 23 fevereiro 2017

Por Marita Siqueira

Campinas ficará mais uma vez sem desfile de escolas de samba durante o Carnaval 2017, mas a folia paulistana terá, sim, um campineiro. O compositor Thiago Vasconcellos de Souza, o Thiago SP, letrista da famosa marchinha do “Japonês da Federal”, é o autor do samba-enredo da Dragões da Real, que integra o grupo especial no sambódromo, que desfila amanhã. Além disso, o campineiro tem seu nome no grupo de acesso, pela Pérola Negra, no Grupo 3 com Lavapés e Valença de Perus e ainda nos blocos especiais Kacique da Vila (SP) e Bloco Pega (RJ).

Aos 37 anos, Souza fez uma carreira intermitente no cenário de compositores de samba, sendo atualmente membro das alas de compositores da Estação Primeira de Mangueira (RJ), da Dragões da Real (SP), Morro da Casa Verde (SP) e Lavapés (SP). Em Campinas, ganhou os dois últimos carnavais pela Leões da Padre Anchieta.

Apesar do sucesso, ainda está longe de largar o terno e a gravata. Formou-se em Direito na Universidade Paulista (Unip) e advoga há 10 anos na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). “Eu gosto do que eu faço, mas seria um sonho viver só com a música”, afirma em conversa com o Caderno C às vésperas da folia.

Para o pontepretano, um samba bom não é necessariamente o nota 10, nem o campeão. “O que o faz ter a nota máxima ou não está no critério de julgamento, então tudo pode acontecer”, explica.

Cada escola tem seus critérios na escolha do samba que a representará. No caso da Dragões da Real, da qual Souza é diretor musical, cinco músicas são selecionados para participar das eliminatórias até definir aquela que irá para a avenida. “Tem muita gente que critica a eliminatória, mas eu acho importante para saber a temperatura que o samba faz a quadra chegar”, pontua ele, explicando que teve que se afastar do cargo para participar da disputa. Composto com parceiros, o samba-enredo Dragões Canta Asa Branca, que homenageia os 70 anos da canção Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, pelos seus 70 anos, venceu por unanimidade.

 

Trajetória explosiva

 

Souza começou a compor sambas quando se mudou para São Paulo, entre 2009 e 2010. Hoje se divide entre a Capital e Campinas. Na primeira, ele conta que morou próximo à Escola Pérola Negra e seu “padrinho de fé”, Marrom, o encaminhou para a cultura da qual nunca mais se afastou. “Ele tocou muitos anos com Almir Guineto e era ligado às escolas. Um grande sambista. Foi o único de São Paulo que desfilou na Sapucaí no desfile das campeãs com a Nenê de Vila Matilde, em 1985. O samba era O Dia Em que o Cacique Rodou a Baiana”, conta. “Foi ele que me colocou no samba”, completa.

O advogado emplacou seis sambas-enredo no Carnaval de São Paulo durante os últimos quatro anos, três no Morro da Casa Verde, um no Pérola Negra e dois Dragões da Real; tornou-se em 2011 membro da ala de compositores da Estação Primeira de Mangueira, no Rio, após participar de um concurso de samba de terreiro como Renascer em Mangueira; e atingiu projeção nacional com a “marchinha do Japonês da Federal”, no ano passado.

“Eu acho legal ser irrequieto com as composições, instigar a reação das pessoas. A coisa mais besta é passar na vida sem provocar nada em ninguém. É bom ser provocativo”, afirma. E a prova disso foi a marcha citada, feita para participar no Concurso de Marchinhas da Fundição Progresso. Depois vieram sátiras políticas a João Dória, a Michel Temer e assim por diante. Sempre emplaca novidades tamanha inquietude. “Nós tratamos o fato, da notícia. Fazemos charges musicais”, afirma.

O compositor também integra o grupo Marcheiros, um dos responsáveis por fazer renascer o gosto do público pelas marchinhas. Em tempo: neste mês o Tonico’s Boteco realizou seu 1 Concurso de Marchinhas, com 39 inscritos, surpreendendo a organização. A vencedora foi Paçoca, de Capa Grilo.

 

Escrito por:

Marita Siqueira