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Correio Popular online

Campineira assumirá a Secretaria de Educação

Publicado em 23 julho 2007

O jejum de sete meses amargado pelo PSDB campineiro, que não teve nenhum nome indicado para compor o 1 escalão do governo José Serra (PSDB), será encerrado com a nomeação de Maria Helena Guimarães para a Secretaria de Estado de Educação. Com um currículo extenso, a professora universitária irá assumir, ainda nesta semana, o cargo no lugar de Maria Lúcia Carvalho, que teria sido indicada pelo ex-governador Cláudio Lembo (DEM).

Ao indicar os seus auxiliares de 1 escalão no início de sua Administração, Serra interrompeu um ciclo que se repetia há uma década ao não convidar nenhum campineiro para comandar secretaria ou estar na direção de uma estatal ou órgão importante, quebrando tradição iniciada ainda no primeiro mandato de Mário Covas, em 1995 e que se manteve até o final da gestão Geraldo Alckmin, em dezembro de 2006.

Nas conversas com o governador, Maria Lúcia teria atribuído a decisão pela saída do governo a problemas de saúde. Ela sofre de um câncer e foi submetida a uma delicada cirurgia no início do ano. Porém, nos bastidores os tucanos dizem que Maria Lúcia tem oferecido resistência aos projetos defendidos pela equipe do governador. Ela teria questionado, por exemplo, o uso de dois professores em sala de aula, uma das principais promessas de campanha de Serra.

Maria Helena confirmou ontem o convite feito pelo próprio governador no fim de semana. Ela disse que aceitou. "Estou tomando conhecimento de todos os projetos para definir quais serão as prioridades", disse ela, adiantando que uma das ênfases que dará em sua gestão é em relação a avaliação externa. "Não é possível dar detalhes porque estou recebendo as informações", disse.

A nova chefe da Secretaria de Educação irá comandar um orçamento de R$ 12 bilhões e será responsável por 5,4 mil escolas em todo Estado de São Paulo. A professora disse que o peso do convite é mais técnico do que político. Maria Helena tem um currículo extenso na área educacional. Durante oito anos ocupou dois cargos no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso: foi secretária-executiva do Ministério da Educação e presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão responsável pela realização do Exame Nacional de Cursos, o Provão.

No governo Alckmin, Maria Helena foi entre os anos de 2003 a 2005 secretária Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social. No governo Lembo, foi secretária de Tecnologia, Ciência e Desenvolvimento Econômico. "A escolha foi técnica, mas é claro que é bom para todos do PSDB de Campinas. É importante colaborar com o governo Serra", ressaltou.

Até 15 dias atrás, ela chefiava a Secretaria Estadual de Educação do Distrito Federal. "Comecei a preparar a minha saída em meados de abril por causa do caos aéreo. Era muito difícil o deslocamento", afirmou. Ela também já esteve à frente da Secretaria de Educação de Campinas, durante a segunda gestão do prefeito José Roberto Magalhães Teixeira (PSDB).

"A indicação dela indica a volta dos tucanos campineiros ao primeiro escalão do governo Serra. É uma secretaria importante e Campinas tem tradição no Ensino e Educação", disse o vereador Dário Saadi (PSDB).

Em meados do primeiro semestre, o ex-secretário estadual de Transportes Metropolitanos Jurandir Fernandes assumiu a presidência da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S/A.

Na gestão Mário Covas, há 12 anos, tradição foi iniciada

Com Mário Covas, a partir de 1995, Campinas teve Césari Manfredi no comando da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) — que ainda não havia sido privatizada — e o ex-reitor da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), Eduardo José Pereira Coelho na Eletropaulo. Além deles, foram chamados os ex-reitores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Carlos Henrique Brito Cruz e Carlos Vogt, que, em diferentes momentos, ocuparam a presidência da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Hoje, Brito Cruz é o diretor científico da Fapesp e Vogt, desde 2002, é presidente do Conselho Superior da própria instituição e está no seu segundo mandato. Durante a gestão Geraldo Alckmin — que começou em março de 2001 — Jurandir Fernandes ocupou a Secretaria de Transportes Metropolitanos.