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Campinas: pesquisador do IAC recebe prêmio de ciência aplicada ao campo

Publicado em 11 abril 2006

A Fundação Conrado Wessel, idealizada para premiar e fazer filantropia, agracia este ano o pesquisador do Instituto Agronômico (IAC), Luiz Carlos Fazuoli, com o "Prêmio Fundação Conrado Wessel de Ciência Aplicada ao Campo 2005".
O diretor financeiro da FCW, José M. Caricatti, esteve em Campinas com Fazuoli e João Paulo Feijão Teixeira, vice-diretor do IAC, Instituição que o indicou ao Prêmio. A cerimônia de entrega será no dia 12 de junho de 2006, às 19h30, na Sala São Paulo, na Capital. Na ocasião, os agraciados receberão troféu e valor em dinheiro.
Com a indicação de Fazuoli, completa-se a quarta vez que o indicado ao Prêmio FCW sai de Campinas, confirmando a posição da cidade com celeiro de ciência. No ano passado, o agraciado foi o próprio IAC na categoria Ciência Aplicada ao Campo. Este ano, Adib Jatene, indicado ao Prêmio pela Unicamp, será homenageado na categoria Medicina.
Em 2003, o Prêmio FCW de Ciência Geral foi para Carlos Henrique de Brito Cruz, então reitor da Unicamp. Caricatti esclareceu que não há liame entre a premiação do IAC no ano passado e a de Fazuoli agora. "Neste ano não foram apresentados nomes de instituições, só de pessoas físicas", explicou.
Após 34 anos de dedicação à cafeicultura, o Prêmio FCW chega para Fazuoli como importante reconhecimento de seu trabalho, especialmente pelo caráter social das contribuições geradas nas pesquisas de melhoramento genético do cafeeiro. Apenas para exemplificar, Fazuoli foi responsável pelo lançamento, em 2002, de três variedades de café, sendo duas de porte baixo e resistentes à ferrugem - Tupi IAC 1669-33 e Obatã IAC 1669-20 -, e uma de porte baixo, com excelente qualidade da bebida, a Ouro Verde IAC H5010-5.
A homenagem tem sua relevância destacada pelo júri, composto por representantes da Academia Brasileira de Ciências, CAPES, CNPq, FAPESP, SPBC, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da própria FCW. "Ficamos muito felizes, ser escolhido por júri tão qualificado é o próprio prêmio", disse Fazuoli. O diretor da FCW afirmou que a indicação é de um mérito incontestável, pois há grandes nomes na lista considerada pelo júri. "O conjunto dos premiados mostra o valor do nome do Fazuoli", declarou Caricattti.
Segundo Feijão, para o IAC a concessão é extremamente rica, principalmente pelo fato de o IAC ter sido o agraciado na edição anterior do Prêmio. "O Fazuoli é de uma área privilegiada da Instituição, grandes nomes saíram do Centro de Café, ele é um herdeiro de Alcides Carvalho", disse Feijão, referindo-se ao principal nome da cafeicultura brasileira e mundial.
Além da categoria Ciência Aplicada ao Campo, o Prêmio FCW de Ciência contempla as modalidades Ciência Geral, Ciência Aplicada à Água, Ciência Aplicada ao Meio Ambiente e Medicina. O Prêmio FCW de Arte é atribuído à Fotografia Publicitária. No Prêmio FCW de Cultura o segmento cultural escolhido é o de Literatura.
De acordo com a FCW, o perfil dos premiados em Ciência e Cultura, revela características como inovação, liderança, relevância social, trabalho permanente e ética. A indicação dos nomes é feita por 140 instituições de pesquisa e ensino do País de nível internacional. "O indicado tem que estar em atividade nos últimos cinco anos, sua atuação deve ter grande eficácia social e a sociedade precisa ter ganhado com o que ele realizou", esclarece Caricatti.
Quanto ao pesquisador Fazuoli, não há dúvida sobre tais quesitos: 80% dos cafeeiros do Brasil saíram do IAC. E nesses campos há muito da contribuição de Fazuoli.

Retrato
O cenário da cafeicultura brasileira compõe-se de cerca de 370 mil propriedades agrícolas, sendo 25% de cafeicultura familiar. O agronegócio café está distribuído em 1850 municípios, em 13 Estados brasileiros. O Brasil tem 11 indústrias de café solúvel, 77 cooperativas e 166 exportadoras relacionadas com o produto. A atividade gera 8,4 milhões de empregos diretos e indiretos. Já o consumo interno no Brasil, atualmente, está em torno de 15 milhões de sacas, sendo que cada pessoa consome em torno de 3,8 kg de café/ano.
Os números revelam o caráter social que recobrem as pesquisas científicas com cafeeiros, atendendo diretamente os cafeicultores familiares, que, segundo Fazuoli, estão plantando cultivares IAC de porte baixo, resistentes à ferrugem evitando assim maiores gastos e riscos à saúde dos trabalhadores e dos consumidores.
O grande produtor também vem sendo beneficiado com as pesquisas desenvolvidas no Centro de Café "Alcides Carvalho" do IAC. A descoberta do café naturalmente descafeinado, feita em 2004 com a participação de Fazuoli, permitirá no futuro o desenvolvimento de cultivares de Coffea arabica produtivas e praticamente isentas de cafeína de maneira natural. É uma inovação tecnológica que beneficiará, por meio da agregação de valor ao produto, tanto o setor produtivo como o industrial. Esse resultado de pesquisa IAC poderá também alavancar as exportações nacionais de café, já que o consumo de café descafeinado no Brasil é da ordem de 1% e no mundo chega a 10%. Além disso, pessoas sensíveis à cafeína poderão tomar também o café descafeinado naturalmente.
Outras informações: www.iac.sp.gov.br