Notícia

Jornal do Commercio (RJ)

Campinas investe em tecnologia US$ 300 milhões

Publicado em 15 maio 2006

Por Carolina Marcondes, do Jornal do Commercio
Os 19 municípios que compõem a região metropolitana de Campinas, no interior de São Paulo, são referência nacional em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Segundo a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, as empresas que atuam nesse segmento investem, por ano, US$ 300 milhões em projetos de pesquisa tecnológica. Estima-se que, juntas, elas gerem cerca de 30 mil empregos diretos.
Segundo o coordenador da secretaria, Sérgio Queiroz, a principal responsável pelo agrupamento de empresas tecnológicas nessa região é a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), considerada um centro de referência nacional nesse segmento. "Essas empresas começaram a chegar em Campinas na década de 70, atraídas pelas pesquisas da universidade", diz Queiroz. De acordo com ele, a chegada do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) da antiga Telebrás despertou o interesse das empresas do segmento de telecomunicações.

Boom
Com o "boom" das telecomunicações observado no final dos anos 90, dezenas de empresas se instalaram na região, como a Motorola (em Jaguariúna), IBM (em Hortolândia) e Samsung (em Campinas). "É importante destacar que essas companhias não receberam benefícios", diz Sérgio Queiroz. "Elas foram atraídas pelo grau de desenvolvimento tecnológico que havia ali". Além da Unicamp, a região conta com a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Pucamp).
Além do conhecimento em TIC disponível, a localização estratégica do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, também atrai as empresas, que utilizam componentes importados na fabricação dos seus produtos. "Essas peças entram pelo Brasil via Viracopos e chegam mais rapidamente às fabricas, barateando os custos de produção", afirma Queiroz.
Segundo Mauro Perez, diretor do instituto IDC do Brasil, especializado em pesquisas na área tecnológica, outro fator que atrai empresas de tecnologia de ponta para a região é a perda do potencial de atração da capital paulista. Segundo ele, muitos profissionais qualificados estão se transferindo para o interior paulista. "Além disso, muitas empresas estão sediadas em São Paulo, mas seus parques industriais ficam na região metropolitana de Campinas", afirma Perez, citando a IBM como exemplo. "A IBM contratou excelente mão-de-obra e se beneficiou com a logística", completa o diretor do IDC.
Parque tecnológico vai consolidar liderança
A instalação do Parque Tecnológico de Campinas, prevista para 2007, deverá consolidar a região como o principal pólo de pesquisa e desenvolvimento em TIC do Brasil. "A cidade terá um parque de mais de oito milhões de metros quadrados de área só para empresas desse segmento", diz coordenador da secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, Sérgio Queiroz. Segundo ele, a região terá uma lei específica de zoneamento para atrair as empresas.
Desenvolvido pelo governo do Estado, o Sistema Paulista de Parques Tecnológicos tem o objetivo de atrair empresas de tecnologia para quatro cidades paulistas, além de Campinas. Em Ribeirão Preto o foco será no segmento de saúde. Em São Carlos a área priorizada será biotecnologia. Na cidade de São Paulo, o projeto prevê investimentos em nanotecnologia, enquanto em São José dos Campos os esforços serão concentrados na tecnologia aeronáutica.
Juntos, os parques receberão investimentos de R$ 11 milhões, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do Ministério da Ciência e Tecnologia.