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Diário do Povo

Campinas fabrica mais Ciência

Publicado em 17 junho 2005

Por Maria Teresa Costa, Agência Anhangüera (teresa@cpopular.com.br)
A terceira do país

Campinas tem a terceira maior produção científica do País, segundo o Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação em São Paulo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
A cidade, responsável por 10,3% da produção de ciência e tecnologia nacional, perde apenas para as capitais São Paulo e Rio de Janeiro, responsáveis, respectivamente, por 28,% e 17% da produção brasileira. Conforme o indicador, a produção neste setor cresceu em Campinas 54,9% em cinco anos.
No período estudado pela FAPESP (entre 1998 e 2002) a produção de ciência no Brasil como um todo cresceu 54,2%, saltando de 10.279 artigos publicados em 1998 para 15.846 em 2002. O estudo utiliza o Science Citation Index Expanded (SCIE), banco de dados do Instituto de Informações Científicas (ISI) dos Estados Unidos, que representa os periódicos de maior renome internacional. Esse indicador indexa mais de 5 mil periódicos, rigorosamente selecionados, referentes a 164 áreas do conhecimento.
O índice mostra que Campinas saltou de 1.061 publicações indexadas na base SCIE em 1998 para 1.643 em 2002. A maior parte das publicações são da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) que, quando separada por área de conhecimento, teve 6.778 citações no período.
Depois vem o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, com 158, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) com 110, a PUC-Campinas com 65 e o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), com 37 indexações.
O indicador aborda diversas dimensões das três grandes categorias de indicadores de ciência, tecnologia e inovação: os de insumo (dispêndios públicos e privados em pesquisa e desenvolvimento, recursos humanos disponíveis e panorama do ensino superior); de produto (produção científica, produção tecnológica, comércio de produtos de alta tecnologia e empresas inovadoras); e indicadores de impacto (socioeconômicos e culturais da Ciência e Tecnologia em setores específicos, como saúde e tecnologia da informação).
O diretor científico da FAPESP e ex-reitor da Unicamp, Carlos Henrique de Brito Cruz, observou que o terceiro lugar de Campinas é um resultado respeitável e que, em certos indicadores, como a formação de doutores, a cidade ocupa a segunda colocação. Aqui, disse ele, se formam mais doutores do que em qualquer país da América Latina.
"Do lado acadêmico, a produção já está quase no máximo do que se pode conseguir. O desafio a partir de agora é ter mais pesquisa em empresas na região", observou. No Brasil, no entanto, ainda há muito caminho a se percorrer, segundo ele.
A produção científica acadêmica, conforme Cruz, ainda atingir o dobro dos números atuais para se comparar com o de países como Espanha ou Canadá. "E a capacidade de Pesquisa e Desenvolvimento nas empresas precisa crescer 10 vezes para ser mais competitiva. Hoje, temos essa competitividade em alguns setores, como o de aeronáutica, de petróleo e do agronegócio. Mas para o Brasil se desenvolver de verdade é preciso que esta lista tenha pelo menos mais uns 10 itens", observou.