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Campinas é segunda região com mais pós no estado

Publicado em 18 abril 2018

Por Redação Digitais

Em quantidade de mestrados e doutorados, perde somente para a metropolitana de São Paulo.

A mesorregião de Campinas é responsável por 11,73% dos mestrados e doutorados do estado de São Paulo, segundo dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Numericamente, está atrás apenas da região metropolitana de São Paulo, com 59,2%. Na cidade de Campinas, a pós-graduação na Unicamp e na PUC cresce, de acordo com estatísticas internas das universidades.

Fazem parte da mesorregião de Campinas as microrregiões de Amparo, Mogi-Mirim, Pirassununga e São João da Boa Vista.

A Unicamp atualmente tem 76 programas de pós-graduação, 31 deles completos (com mestrado e doutorado). O número de concluintes vem crescendo de maneira gradual e constante: de 1.935, em 2008, passou a 2.268 em 2016, o que representa um aumento de 14,7% em oito anos.

Taiana Vidotto começou o mestrado em um dos programas mais recentes da universidade – Arquitetura, Tecnologia e Cidade -, assim que foi criado em 2012. “Como o programa ia abrir e moro aqui em Campinas, acabei prestando. E, como minha experiência de orientação e de trabalho foi muito boa dentro do programa no mestrado, quando fui prestar o doutorado, não pensei duas vezes.” Na percepção da hoje doutoranda e professora de universidade particular, as opções de pós-graduação em arquitetura na região eram escassas.

Daniel Ribeiro, 25 anos, que faz mestrado de Urbanismo na PUC-Campinas, tem opinião semelhante. “É um dos poucos cursos de pós-graduação de Urbanismo no Brasil”, diz sobre a escolha do curso de pós-graduação da PUC após a formatura em Arquitetura na mesma universidade.

Em contraposição aos 76 programas da Unicamp, a PUC-Campinas tem apenas nove, três deles completos (mestrado e doutorado). Quatro desses programas, porém, foram criados a partir de 2014, o que representa um aumento de quase 50% em quatro anos.

“A pós-graduação cresceu muito nos últimos anos. Queremos aumentar esse número e qualificar nossos programas. Creio que estamos contribuindo com a cidade, ao darmos a possibilidade de qualificação, de aumentar o conhecimento e de desenvolver a análise crítica”, afirma a Pró-Reitora de Pós-Graduação da PUC-Campinas, Renata Valente.

Os programas mais fortes da universidade são justamente os mais tradicionais e consolidados. Psicologia, o primeiro curso de pós-graduação criado na universidade, em 1972, foi responsável por 208, ou 38,8%, das dissertações de mestrado e 9, ou 60%, das teses de doutorado em 2017. A pró-reitora Valente afirma que o fato de ser um programa com continuação para o doutorado contribui para a procura dos estudantes. Segundo ela, muitos, principalmente no caso dos psicólogos, são profissionais que querem qualificar-se para o mercado de trabalho. Outra parcela é de estudantes que desejam, de fato, seguir a carreira acadêmica.

Através da assessoria, a Pró-Reitoria de Pós-Graduação da Unicamp afirma que a qualidade é o principal fator de atração de estudantes à universidade – e a Campinas: “Nossa excelência em Ensino e Pesquisa é o ‘carro chefe’ para atração de estudantes, acompanhado da nossa forte inclinação para a colaboração internacional formando mão de obra qualificada; nossa infraestrutura de laboratórios, acervo bibliográfico qualificado e por suas políticas inclusivas”.

João Raul Belinato, 25 anos, veio do Paraná para fazer o doutorado em Biologia. Ele tenta desenvolver um método limpo, através da levedura de cerveja, para inibir o desenvolvimento de fungos na laranja.

“Fiz o mestrado com um orientador que fez o doutorado aqui em Campinas, e ele sempre me incentivou muito a sair de lá do Paraná. Ele acreditou em mim. Nunca quis Campinas nem Unicamp, mas o incentivo dele foi me levando a isso”, relata.

O biólogo colombiano Andres Osorio, de 31 anos, fez o mestrado em Goiânia e depois decidiu candidatar-se na Unicamp para o doutorado em biologia celular estrutural. “É uma das melhores universidades aqui da América Latina. E aqui em São Paulo eu teria a oportunidade de ter a bolsa FAPESP, que tenho agora”, diz.

Para Osorio, o trabalho de pesquisa deve se encerrar no doutorado. “Não sei se pretendo continuar com a carreira acadêmica. Eu sempre coloquei na minha mente que aquilo que estudaria seria algo para colocar em prática. Se não agora, mais para a frente – daqui a cinco, dez anos, ter um laboratório meu, fazer pesquisa particular ou diagnóstico clínico com o que aprendi desde a graduação, mestrado, doutorado”, afirma.

Mas o doutorado é um passo necessário para tornar-se professor universitário, objetivo de Belinato – que diz não ser entusiasta do trabalho de pesquisa. “Não é aquilo que amo fazer, até por isso sofro um pouco nessa história de pós-graduação. Mas gosto muito de lecionar, de ensinar, e isso me trouxe para o mestrado”.

Também Rafael Unger, que faz mestrado de Economia na Unicamp, quer seguir a carreira acadêmica. “Você vai ter que percorrer anos de mestrado, doutorado, pós-doutorado, todos os trâmites envolvidos no meio”, afirma. “Não tinha certeza de que era isso o que eu queria, então fui trabalhar. Quando tomei minha decisão, sabia dos percalços no caminho”.