Notícia

Gazeta Mercantil

Campanha contra o câncer quer desmitificar a doença

Publicado em 28 novembro 2000

Por Adriana Fernandes Farias de São Paulo
O modo de vida é responsável por 75% dos casos de câncer. Levando isso em conta, e a importância do diagnóstico precoce para cura, o Hospital do câncer lança uma campanha nacional para desmistificar a doença. Metade dos tumores têm como causa direta o tabaco (35%) e o álcool (15%). Outros fatores que os propiciam são a radiação solar e alguns vírus, como o HPV que é transmitido sexualmente e causa o câncer de colo de útero. Neste caso a prevenção é simples: usar preservativo. O câncer hereditário corresponde a apenas 10 ou 15% dos casos. Terceira causa de mortes no País, com 13.3% dos óbitos, o câncer fica atrás apenas de doenças do aparelho circulatório e traumas (acidentes, homicídios). Entre os tipos de câncer, o de estômago é o primeiro em mortalidade, seguido pelo de pulmão, mama e útero. O Instituto Nacional do Câncer estima que em 2001 surgirão 300 mil novos casos da doença no País. Tumores como os de pele. útero, mama, próstata e pulmão têm duas coisas em comum. São fáceis de prevenir e podem ser diagnosticados precocemente, com exames periódicos e as mulheres podem fazer auto-exame de mama. Os exames para detectar câncer de útero, próstata e pele são muito simples. Na Europa Central, o câncer de colo de útero praticamente desapareceu, já que a lesão inicial é benigna e totalmente curável. "No Brasil há mais mortes por câncer porque as pessoas chegam no centro de tratamento em um estágio mais avançado da doença*', diz Daniel Deheinzelin, diretor clínico do Hospital do Câncer. "20% das mortalidade se deve à falta de informação". Se detectado cedo, o câncer de pulmão tem 70% de chance de cura, enquanto os de útero e de pele não melanoma têm quase 100%. Nos EUA, há 250 milhões de novos casos detectados por ano e 550 mil mortes (22%), enquanto no Brasil essa relação é de 284 mil/114 mil (40%). "Queremos tirar o estigma que o câncer tem, das pessoas acharem que é uma sentença de morte". O diagnóstico precoce não é uma realidade no País porque nem todo médico é capaz de fazê-lo e a população tem medo e preconceito. Isso é evidente, por exemplo, no toque retal, que deve ser feito em todo homem a partir dos 45 anos para prevenir o câncer de próstata. E há quem confunda tumor de rim, o mais comum em crianças, com verminose. O Hospital do Câncer é uma das cinco instituições de saúde escolhidas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo para investir em inovação científica, desenvolvimento tecnológico e divulgação à comunidade. A Fapesp investirá R$ 2,5 milhões por ano, durante cinco anos prorrogáveis por mais seis. A campanha é um dos pilares da difusão. Recebendo 5,5 mil novos casos de câncer ao ano, o hospital atende 370 mil pacientes e sua margem de cura é de 60%. Estuda duas vacinas, uma terapêutica contra o mais agressivo câncer de pele (melanoma) e outra preventiva contra o HPV. Essa última está em teste e não estará disponível em menos de cinco anos. Criada para ser tão sedutora quanto as propagandas de cigarro, a campanha foi elaborada pela J.W.Thompson, gratuitamente. Mostra o "câncer da vaidade" (a mulher que abusa do sol), "da idiotice" (o cigarro), "do preconceito" (um homem que se recusa a fazer o toque retal). Ela estará nas TVs, cinemas, outdoors, rádios, revistas e jornais. A Rede TV!, a Rede Globo e a Central de Outdoors já se prontificaram a colaborar. A campanha irá durar no mínimo cinco anos.