Notícia

Gazeta de Alagoas

Cai a concentração de renda em Alagoas

Publicado em 19 agosto 2001

Por VALMIR CALHEIROS
Alagoas tem os 10% mais ricos de sua população ganhando dez vezes mais do que os 40% dos mais pobres. Revela o economista Edmilson Veras que, ao mesmo tempo, observa: "Não devemos incluir este Estado entre os primeiros em concentração de renda no País. Mas como o que tem a melhor distribuição em relação aos demais do Nordeste". Veras é professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), pesquisador da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e diz que não existem motivos para regozijo nesta constatação. CRESCIMENTO ZERO "O Estado não tem crescido nos últimos anos. Pelo contrário. Temos um crescimento de emprego zero e amargando os danos do retrocesso, de uma, drástica redução nos ganhos dos que tinham mais, como os grandes fazendeiros e fornecedores de cana, e uma perda menor dos que vivem com reduzido poder aquisitivo. Estes últimos, porque favorecidos com os reajustes anuais do salário mínimo, mesmo aquém das necessidades", ressalta. Veras lembra que em 1992, pelo índice de Gini - quanto mais próximo de um, maior é a concentração da renda, quanto mais próximo do zero, menor ela é - o nível de concentração de Alagoas era de 0,581, o maior do País, que estava em 0,571. "Chegamos ao final da década com o nosso Estado em um nível menor (0,529) em relação ao Brasil (0,567)", acrescenta Veras, antes de reforçar suas declarações iniciais: "Os que tinham rendas mais elevadas entre os alagoanos, incluindo os trabalhadores como os bancários, estão empobrecendo cada vez mais. Como se não bastassem os problemas decorrentes da globalização, da política econômica que passou a ser adotada no País, do desemprego, com as novas tecnologias,, terceirização, entre outros, o poder aquisitivo dessas categorias somente vem decrescendo. Com a ameaça do desemprego, aumenta a quantidade de pessoas obrigadas a fazer opções por salário menor para não viverem sem emprego nenhum". STATUS JÁ ERA Os bancários, como os do Banco do Brasil, por exemplo, já não têm o status de há alguns anos. Veras recorda, como muitos, de quando foi providenciada a transferência da agência desse banco de Jaraguá para o Centro de Maceió, nos anos 70, houve quem protestasse alegando a falta de espaços para seus empregados estacionarem os carros. "Agora, até muitas das funções próprias do Banco do Brasil e de outras instituições bancárias estão sendo realizadas inclusive pelas casas lotéricas, por pessoas que ganham menos do que os bancários e das quais não se exigem melhores formações nem capacitação". A nossa realidade econômica somente será modificada para melhor se o País crescer a taxas não inferiores a 5% ano. A afirmativa é do próprio professor Edmilson Veras, que aponta as categorias dos servidores públicos como as mais atingidas pelas medidas econômicas do governo. Principalmente nos últimos sete anos. "Os aumentos que têm sido concedidos contemplam apenas uma minoria que compõe os segmentos privilegiados".