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Cães e gatos da região na era digital

Publicado em 01 setembro 2009

O uso de chip de informação em animais está se tornando uma excelente ferramenta para auxiliar a saúde pública e o controle de sanidade de caninos, bovinos, equinos e animais silvestres.

Na região, o municipio de Pardinho, já está discutindo a adoção do controle de zoonoses, utilizando chips eletronico, introduzido na pele do cão. Botucatu na gestão anterior, havia anunciado a implantação do projeto, mas nunca foi efetivado.

Além da identificação do animal, o chip é cadastrado a um banco de dados com informações sobre a vida do animal, incluindo nome, endereço, idade, sexo, pelagem, raça, vacinação, dados sobre castração ou agressividade, além da identidade do proprietário.

O médico veterinário Alfredo Lima desenvolve um trabalho de pós-doutorado na área de controle populacional de animais, na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu, supervisionado pelo professor Stélio Pacca Loureiro Luna.

O projeto de pesquisa busca avaliar efeitos deletérios ou não da contracepção cirúrgica em cadelas e prevê a implantação de chips no dorso dos animais utilizados em seu experimento.

A implantação dos chips é um adendo do projeto de pesquisa, financiado pela Fapesp, que possibilitou a compra dos chips e do leitor, para que se faça o registro e o controle dos animais utilizados no projeto e, consequentemente, o rastreamento desses animais por um periodo de tempo maior.

A intenção de Lima é constituir um banco de dados sobre esses animais que facilitaria uma reavaliação futura de cada caso. Até o final do seu experimento, Lima pretende chipar 150 animais."Teremos condições de fazer um acompanhamento preciso sobre eventuais problemas advindos da cirurgia realizada em longo prazo, além de obter outras informações. Esse animal continua vivo? Ganhou peso? Meu projeto contempla esses dados que podem ser acessados mais rapidamente e com maior exatidão a partir de um chip de identificação cadastrado a um banco de dados".

Como funcionam os chips

A utilização dos chips é simples. Eles são do tamanho de um grão de arroz e são implantados no dorso dos animais por meio de um aplicador específico. Como a implantação dos chips para o experimento de Lima é feita no mesmo momento da cirurgia de castração, os animais passam pelo procedimento anestesiados.

Normalmente, a anestesia não é necessária. Os chips podem durar até cem anos e são de uso individual e exclusivo. Sua utilização não altera em nada a saúde ou o comportamento dos animais. Não há dor ou desconforto.

Todas as informações sobre os animais chipados vão para um banco de dados chamado Abrachip (Associação Brasileira de Animais Chipados).

Ao passar um leitor sobre o dorso do animal, semelhante aos aparelhos de leitura de código de barras utilizados em estabelecimentos comerciais, se pode ter acesso ao seu número de identificação.

Como parte do seu projeto de pesquisa, Lima está em tratativas com a Prefeitura Municipal de Pardinho, para coordenar um programa de chipagem de 90 animais no município, iniciativa pioneira em termos de saúde pública na região.

"A população canina dessa região é relativamente pequena, portanto, é mais fácil de controlar. Nossa intenção é tornar Pardinho um modelo funcional e operacional em termos de controle populacional e bem-estar animal no Estado de São Paulo".

Lima vai aplicar um questionário aos proprietários sobre as possíveis alterações comportamentais e físicas e outros possíveis efeitos da cirurgia de contracepção dos animais que participarão do seu experimento.

A intenção é somar as informações que interessam para a pesquisa com o programa de controle populacional do município.

Esse experimento só atende cadelas, mas a tendência é que se aplique em todos os animais, incluindo cães e gatos machos e fêmeas.