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Correio Popular

Cadeira elétrica é movida por expressão facial

Publicado em 17 dezembro 2017

Os estudos de tecnologias de reconhecimento facial chegaram para atender à demanda de pessoas com deficiência. Uma ‘empresa-filha’ da Unicamp, a HooBox desenvolveu um kit que pode ser acoplado à cadeira de rodas elétrica e permite que o usuário controle o equipamento apenas com as expressões faciais. Paulo Gurgel Pinheiro, que é da área de robótica e chefe da empresa, conta que o produto, ainda em fase de protótipo, foi tão bem aceito que já está sendo vendido nos Estados Unidos. Ainda não há prazo para que seja comercializado no Brasil, mas a intenção é que ele seja vendido com um valor mais baixo. “A margem de lucro que obtemos fora do país é grande, então planejamos subsidiar um aparelho a preço de custo no Brasil a cada três vendidos no exterior”, conta.

O protótipo, chamado de Wheelie7 (porque demora sete minutos para ser instalado na cadeira), é um kit no qual o usuário pode cadastrar as expressões do rosto para movimentar o equipamento. São 12 movimentos faciais disponíveis, dos quais cinco devem ser escolhidos para que a cadeira vá para frente, para trás, esquerda, direita ou pare.

Pinheiro explica que a tecnologia de reconhecimento facial começou a ser desenvolvida na Suécia, quando ele analisava pilotos de caça em ação com o grupo de pesquisa. “Foi quando voltamos ao Brasil, no aeroporto, que vimos uma menina na cadeira de rodas com o pai que tivemos a ideia do produto. Ela tinha todas as expressões faciais, mas precisava ser conduzida por outra pessoa.”

Em maio do ano passado o projeto foi inscrito na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e recebeu apoio financeiro, além de uma empresa parceira de São Paulo. “Queríamos fazer o protótipo rápido para colocar em teste”, conta. Ele, o irmão Cláudio e a equipe de desenvolvedores entrevistaram mais de 200 pessoas, entre médicos, cuidadores e pessoas com deficiência para entender quais eram as demandas para embasar o software. Após a coleta de dados, descartaram a utilização dos movimentos dos olhos, o que seria cansativo para o usuário, e também os comandos por voz, já que em alguns casos, a pessoa não consegue falar. Além do controle facial, o software é conectado a um aplicativo de celular que pode ser controlado pelo cuidador ou familiar do usuário. “Esse app permite que o cuidador mova a cadeira manualmente e tem funcionalidades como um algoritmo que detecta níveis de cansaço do deficiente, depressão, sonolência, espasmos musculares e desmaios. Quando há algum episódio, o cuidador é alertado pelo aplicativo”, explica.

O aparelho fez sucesso nos Estados Unidos, onde começou a ser vendido, no ano passado, a US$ 3 mil, e agora é cedido em esquema de ‘aluguel’, no qual o usuário paga US$ 300 por mês para manter o equipamento. A boa aceitação da tecnologia permitiu a internacionalização da HooBox, segundo Pinheiro. "A partir de dezembro até maio do ano que vem a empresa ficará incubada na sede da Johnson Johnson, no Texas, para desenvolvermos mais o produto, e pretendemos abrir uma sede em Cleveland, Ohio.