Notícia

Folha de Londrina

Cadeia do café tem novas perspectivas

Publicado em 11 junho 2005

Por Célia Guerra

Volume de informações levantadas pelo sequenciamento do genoma do cafeeiro pode avançar pesquisa em até 20 anos

O Brasil está na liderança mundial das pesquisas do café. O mérito é do grupo de pesquisadores que realizou o sequenciamento do genoma cafeeiro. A pesquisa foi realizada através do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvovlimento do Café (CBO&D-Café) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Na coordenação estava o pesquisador Luiz Gonzaga Esteves Vieira, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), responsável pelo núcleo de biotecnologia do Consórcio. Na semana passada o trabalho foi premiado pelo Conselho de Exportadores de Café do Brasil (CeCafé).
Vieira explica que foram levantadas 200 mil sequências de genomas do café, sendo que 30 mil delas são expressas com as funções já conhecidas. Essas sequências são de interesse agronômico para serem utilizados na melhoria da qualidade da planta e da bebida do café brasileiro. ''Esse banco de dados é uma importante fonte de conhecimentos para que se entenda a biologia do café'', diz. O trabalho, continua o pesquisador, irá facilitar e agilizar em até 20 anos as pesquisas que buscam o melhoramento genética da planta. ''Com estas informações será possível o desenvolvimento de tecnologias apropriadas aos diferentes segmentos da cadeia produtiva do café'', destaca.
O projeto teve dois anos de duração e foram gastos R$ 6 milhões, disponibilizados pelo Ministério da Agricultura, Funcafé, Embrapa, Fapesp e instituições parceiras. O grupo já está em busca de recursos para a realização da segunda etapa do trabalho, que trata do estudo da função dos genes expressos que foram sequenciados.
De acordo com Vieira, já existem oito projetos de estudo que estão utilizando estes dados. O consórcio, ainda de acordo com o pesquisador, está custeando pesquisas relacionadas à qualidade do fruto cafeeiro, uniformização da maturação dos frutos, controle de florescimento, ampliação da resistência da planta a doenças e pragas. A exigência é que esses trabalhos sejam conduzidos por, pelo menos, duas instituições.
O trabalho teve o reconhecimento internacional, e, segundo Vieira, os pesquisadores estão sendo chamados por outros países interessados em aproveitar as informações. Por enquanto, o acesso ao banco de dados é restrito a instituições selecionadas pelo consórcio. A partir de 2006 as informações estarão abertas a outras intituições públicas e privadas.