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Rota 2014

"Cadê o nosso Prêmio Nobel?"

Publicado em 23 março 2020

Por Marisa Eboli

No final de 2019, escrevi aqui para esta coluna acerca das ‘fábricas’ de Prêmio Nobel. Diante de um cenário de universidades e instituições premiadas pelo mundo, indagava ao final: será que as universidades brasileiras estão preparando seus alunos para um dia receber um Prêmio Nobel? E continuo refletindo sobre isso, principalmente em época de novo coronavírus.

E uma notícia chamou minha atenção nestes tempos sombrios: o sequenciamento do genoma do novo coronavírus, realizado por um grupo de pesquisa composto, em sua maioria, por mulheres. O sequenciamento genético inédito de coronavírus na América Latina só foi possível por conta de uma parceria entre Instituto Adolfo Lutz, o Instituto de Medicina Tropical da USP, e a Universidade de Oxford.

Embora poucos saibam, as mulheres se destacam na ciência do País. De acordo com levantamento feito pela revista Pesquisa Fapesp, 44% dos artigos científicos brasileiros são assinados por mulheres. No Brasil, no início do século XXI, 35% dos autores eram mulheres. Em termos de paridade de gênero, o País só perde para Portugal (48,32%), e para Argentina, única nação que tem mais mulheres cientistas assinando artigos do que homens (51%). O Brasil fica à frente dos Estados Unidos (33%) e da Alemanha (32%). A mais baixa proporção foi registrada no Japão (15,22%).

Os dados aguçaram minha curiosidade. Quantas mulheres já foram laureadas pelo Nobel? Em 2018, três mulheres foram premiadas. Em toda a trajetória do prêmio, apenas 5% dos vencedores são mulheres. Das três áreas das ciências naturais, a medicina é a que tem a maior porcentagem de mulheres vencedoras. Mesmo assim, esse número só chega a 5% (12 dos 216 vencedores). O menor percentual de participação feminina é na Física, que tem apenas 1% de ganhadoras em toda a trajetória do prêmio.

Algumas curiosidades sobre mulheres laureadas. Marie Curie foi a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel, em 1903. E em 1911, tornou-se a primeira pessoa a ganhar dois prêmios Nobel, em Física e Química. Em 2014, a ativista paquistanesa Malala Yousafzai foi a pessoa mais jovem (17 anos) a ser laureada em

Importante destacar que das três mulheres que ganharam o Nobel em Física, nenhuma o fez sozinha: os prêmios foram divididos, em todas as ocasiões, com outros dois cientistas. Na verdade, as pesquisas vencedoras, em geral, são pesquisas caras, exigindo esforços conjuntos e cooperação. No futuro, dificilmente haverá nas ciências aquele vencedor individual e personalista. Cada vez mais, a ciência é feita coletivamente.

Um ótimo exemplo de ciência feita coletivamente, por meio de parcerias, é o Projeto Genoma Humano , um empreendimento internacional, iniciado formalmente em 1990, com o objetivo de identificar e fazer o mapeamento dos genes existentes no DNA do corpo humano, determinar as sequências das 3 bilhões de bases químicas que compõem o DNA e armazenar essas informações em bancos de dados acessíveis. Começou como uma iniciativa do setor público, tendo a liderança de James Watson, na época chefe do Instituto Nacional de Saúde dos EUA. Inúmeras escolas, universidades e laboratórios de todo mundo participaram do projeto. A princípio, esperava-se que os objetivos fossem alcançados após 15 anos de estudo, mas com o avanço da tecnologia e possibilidade de maior intercâmbio, o projeto teve suas atividades finalizadas após 13 anos, em 2003. Três membros do projeto, os britânicos John Sulston e Sydney Brenner e o americano Robert Horvitz, receberam em 2002 o Nobel de Medicina .

Ainda sobre o Prêmio Nobel: de 1901 a 2019 foram entregues 1.120 prêmios, incluindo os de Economia, que foi criado em 1968 pelo Banco Central da Suécia. Os Estados Unidos lideram em número de ganhadores, com 379 (34% do total); em segundo lugar está o Reino Unido, com 130 (12% do total) e em terceiro lugar está a Alemanha, com 110 (9,8%); em seguida está a França, com 70 (6,3%) e depois a Suécia com 31 (2,8%).

E o Brasil? O fato é que até hoje nenhum brasileiro ganhou um Nobel, fonte inclusive de muitas polêmicas. Alguns cientistas chegaram perto : Carlos Chagas (Medicina), em 1913 e 1921; Adolfo Lutz ( Medicina), em 1938; Manoel de Abreu (Medicina), em 1946; Cesar Lattes (Física), em 1950; Jorge Amado (Literatura), em 1967; Carlos Drummond de Andrade (Literatura), em 1967; Sérgio Henrique Ferreira (Medicina), em 1982, e Dom Paulo Evaristo Arns (Paz), em 1990.

Interessante notar que houve mais indicações em ciências naturais. Mas por que não ganhamos? Um ponto mencionado é a falta de recursos. Sabemos, por exemplo, que pesquisa no Brasil não é bem remunerada. As bolsas para pesquisadores não permitem que estes profissionais se dediquem exclusivamente à atividade, e em muitos casos acabam indo para a iniciativa privada ou, quando há cortes, deixam os projetos sem serem finalizados.

Como explicar então o Nobel concedido a cidadãos da Colômbia, Egito, Guatemala, Ilhas Faroé, Mianmar, Paquistão, Santa Lúcia e Venezuela? Muitos deles foram em ciências.

Uma explicação inusitada é dada por Ozires Silva . Certa vez, participando de um jantar em Estocolmo, onde havia três membros do comitê que indica nomes para a premiação, perguntou para eles o motivo de o Brasil nunca haver sido agraciado. Obteve a seguinte resposta: “Vocês brasileiros são destruidores de heróis. Parece que o brasileiro desconfia do outro ou tem ciúmes do outro, sei lá o que acontece.”

Sem dúvida são muitas as especulações e talvez alguns fatores negativos interferem: falta de visão de problemas estratégicos, política econômica e educacional equivocada, investimentos em P&D igualmente equivocados, pouco conhecimento das regras do prêmio, postura individualista e narcisista de grande parte dos pesquisadores.

Apesar de tudo isso, é evidente que o Brasil tem atualmente pesquisa de ponta, destacando-se a área médica. Para se obter o Nobel, a palavra mágica parece ser parceria. Seja com influenciadores, intercâmbio com entidades laureadas, com redes internacionais de pesquisa, com empresas, laboratórios e hospitais privados, inclusive para obtenção de recursos ou equipamentos.

Aposto que vamos chegar lá.

Reforço que as principais lições dessa pandemia de coronavírus enaltecem a parceria, a colaboração, a solidariedade, a troca de experiências, a troca de dados, a utilização intensiva de tecnologia, a gestão de crises, a resiliência, entre outras. Aspectos cruciais para o sucesso em todas as carreiras.

Aproveito para agradecer e dar meus sinceros votos de sucesso a todos profissionais da área de saúde, em especial à mulheres, já que é o nosso mês.

* Marisa Eboli é doutora em administração pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP e especialista em educação corporativa. É professora da graduação e do mestrado profissional da Fundação Instituto de Administração (FIA). (meboli@usp.br)

O Estado de São Paulo

(Foto: )

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