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Correio Popular

BYD e Unicamp firmam convênio de pesquisa

Publicado em 22 junho 2017

Por Maria Teresa Costa

A chinesa BYD planeja ampliar os investimentos em Campinas para suprir a demanda por energia solar da América Latina e África, e decidiu montar na cidade o maior centro de pesquisa e desenvolvimento em células e painéis solares fora da China. Um convênio assinado ontem com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para a implantação de um Centro de Pesquisas Fotovoltaicas vai permitir a montagem do embrião do projeto maior, que é o de produzir, com tecnologias avançadas, as células fotovoltaicas em Campinas (a unidade da BYD instalada no Terminal Intermodal de Cargas já está montando os painéis solares, mas com células enviadas da China). A empresa fala em ampliar a fábrica de Campinas ainda este ano.

As informações foram dadas pelo diretor de novos negócios da empresa, Adalberto Maluf, que participou ontem da assinatura do convênio que vai destinar R$ 5 milhões até 2020 para a fundação do centro de pesquisa. O investimento é uma contrapartida do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores e Displays (PADIS), do governo federal. O aporte será feito, segundo a BYD, anualmente e de forma gradual, em função do faturamento.

“Começamos com R$ 5 milhões, e outros investimentos virão até 2020 e 2025, em valores bem maiores que este, para a fábrica de células de painéis solares no Brasil”, disse Maluf.

O reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, disse estar convicto que a universidade será um parceiro importante na pesquisa e desenvolvimento na área de fotovoltaicos, o que certamente levará ao estabelecimento de outras colaborações no futuro.

A vice-presidente mundial da BYD, Stela Li, afirmou que o compromisso com a Unicamp é criar um centro nacional de pesquisa em energia fotovoltaica, que será referência no País. “Isso certamente levará a novas colaborações e parcerias, desenvolvendo a tecnologia local e criando empregos na busca pelo desenvolvimento sustentável”, afirmou.

A empresa, disse Maluf, é líder em vários dos setores onde atua, mas em energia solar, era somente a número dez no mundo. “Nosso presidente achava que esse campo ainda estava em desenvolvimento, até que com a chegada da tecnologia double glass desenvolvida no ano passado e com o investimento feito em Campinas, acreditamos que podemos suprir toda a demanda da América Latina e África”, afirmou.

Na primeira fase de operação, a BYD está produzindo módulos solares fotovoltaicos double glass - painéis de silício puro vidro duplo, uma tecnologia inovadora que garante maior vida útil do material (40 anos), menor degradação (0,3% ao ano, metade dos módulos convencionais), entre outras vantagens.

O desenvolvimento da fábrica, disse, vai depender muito do mercado. No ano passado, o governo federal cancelou o leilão de energia solar e esfriou o setor, mas “há perspectivas no horizonte” com a criação do conselho de energia renovável e uma nova política para fomentar o setor de energia solar.

Segundo ele, a fábrica poderá ser ampliada ainda este ano. Inaugurada em abril, a unidade tem capacidade de produção anual de 200 megawatts e está recebendo investimentos iniciais de R$ 150 milhões. A previsão é gerar, neste início de produção, 300 empregos. A BYD Energy é o braço de investimentos em energia verde da chinesa BYD, maior fabricante global de baterias recarregáveis.

O investimento na Unicamp será destinado à construção de um prédio para abrigar o centro brasileiro em energia solar. De acordo com Maluf, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) sinalizou que investirá recursos para bolsas de mestrado e doutorado e o governo chinês também poderá, no futuro, colocar recursos para bolsas. “Com isso teremos consolidado em Campinas o maior polo de energia renovável do Brasil, com participação de pesquisadores da Unicamp”.