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Butantan produzirá medicamento que ajuda a diminuir mortes de recém-nascidos

Publicado em 02 maio 2007

Por Cleber Mata

A substância - usada em bebês com Síndrome do Desconforto Pulmonar - custará 70% menos que a média mundial e foi desenvolvida com tecnologia paulista pelo Instituto Butantan, após parceria com o Instituto Sadia de Sustentabilidade.
O objetivo é reduzir o número de mortes em recém-nascidos, vítimas da Síndrome. A estimativa é que somente no Brasil, 50 mil bebês morram todos os anos devido à insuficiência respiratória. No mundo, esse número chega a dois milhões por ano.
A informação do presidente do Instituto Butantan, Isaías Raw, é que com a produção em São Paulo, os hospitais da rede SUS (Sistema Único de Saúde) em todo Brasil terão capacidade de manter o líquido em estoque. Desta forma, o estimulante poderá ser rapidamente utilizado, logo depois do parto, caso o bebê apresente insuficiência respiratória.
"O surfactante funciona como um detergente natural que limpa os alvéolos do pulmão. Como não são todos os hospitais que dispõem do líquido, muitas crianças acabam morrendo", esclarece Isaías.
O líquido é extraído dos pulmões de suínos, cedidos ao Butantan pelo Instituto Sadia de Sustentabilidade. "Dispomos de um grande volume de porcos abatidos. Os pulmões desses animais não têm valor nutricional", completa Isaías. Segundo ele, o principal indicador de que o bebê pode ser portador da Síndrome do Desconforto Pulmonar é o choro pós-parto. "O médico percebe em instantes quando a criança tem problemas e recorre ao surfactante aplicando uma dose através da traquéia", explica.
De acordo com Isaías, o líquido foi testado com sucesso em mais de 200 bebês paulistas. "Desenvolvemos uma tecnologia de baixo custo, pois não podemos depender da importação. Com isso, agora temos uma capacidade muito grande até mesmo de exportação", orgulha-se. Os primeiros países a receber o produto brasileiro estão localizados na Ásia: Malásia, Índia e Paquistão.
A capacidade de produção do Butantan será de 200 mil doses por ano. No projeto foram investidos pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e Ministério da Saúde cerca de R$ 8 milhões.